A tecnológica portuguesa Tekever com operações em Ponte de Sor, garantiu um investimento de 580 milhões de dólares (mais de 500 milhões de euros), elevando a sua avaliação de mercado para 6,4 mil milhões de dólares (superior a 5,6 mil milhões de euros). O encaixe financeiro, anunciado esta quarta-feira, 23 de setembro, visa impulsionar a expansão global da fabricante de drones, otimizar as suas infraestruturas industriais e tecnológicas, financiar compras estratégicas de outras empresas e cimentar a sua liderança europeia no setor de sistemas autónomos geridos por Inteligência Artificial (IA).
A ronda de investimento foi encabeçada pela UC Investments (da Universidade da Califórnia) e pela Baillie Gifford, contando ainda com a entrada da Merlyn Advisors como novo investidor estratégico. Os acionistas atuais — Crescent Cove, Ventura Capital e Iberis Capital — optaram por reforçar as suas posições financeiras na empresa. Embora este primeiro fecho represente a maior fatia do montante, a Tekever prevê abrir novas fases de captação de capital nos meses seguintes para integrar mais parceiros estratégicos.
O anúncio surge num momento de forte tração internacional, destacado pelo recente contrato de 400 milhões de libras (mais de 460 milhões de euros) assinado com o Governo do Reino Unido. Ao abrigo deste acordo válido por 10 anos, a tecnológica vai fornecer o modelo AR5 para o programa CORVUS, a nova linha de vigilância do exército britânico, selecionada devido à sua autonomia por IA e maturidade operacional. Este mesmo modelo de aeronave não tripulada tem sido utilizado no terreno pelas forças militares da Ucrânia no contexto do conflito com a Rússia.
Para o presidente da Tekever, Ricardo Mendes, esta operação ultrapassa a vertente financeira e valida o percurso da empresa. O responsável sublinhou que o grupo de investidores partilha a visão de que a inteligência artificial, a autonomia e o desenvolvimento tecnológico soberano são pilares essenciais para proteger as sociedades democráticas no futuro, conferindo à empresa a capacidade de acelerar o seu crescimento global a partir do continente europeu.
