Duas antas megalíticas com mais de cinco mil anos e vestígios de uma Vila Romana foram destruídas na Herdade das Atafonas, na freguesia da Torre de Coelheiros, no concelho de Évora, para dar lugar a um nogueiro intensivo. O caso vai seguir para o Ministério Público e a Câmara Municipal de Évora abriu um processo de inquérito interno.
A empresa exploradora, NOGAM, afirma desconhecer a existência dos monumentos e garante ter cumprido todos os requisitos legais. A certidão emitida pela Câmara Municipal de Évora não mencionava qualquer património arqueológico na área, o que aponta para uma falha no sistema de gestão e comunicação do património — e não necessariamente para incumprimento por parte do agricultor. A Direção Regional de Cultura do Alentejo vai levar o caso ao Ministério Público.
Não é a primeira vez que o Alentejo regista episódios desta natureza. Em 2020, uma anta na mesma freguesia de Torre de Coelheiros foi destruída durante a plantação de um amendoal, e outra em Mora sofreu o mesmo destino para uma plantação superintensiva. Os processos judiciais avançaram, mas os monumentos não foram recuperados.
O megalitismo do Alentejo está em processo de classificação como Património de Interesse Público, com mais de dois mil monumentos inscritos. As duas antas da Herdade das Atafonas foram destruídas antes de qualquer proteção formal poder ser aplicada, reacendendo o debate sobre a necessidade urgente de cruzar os projetos agrícolas com o cadastro arqueológico existente antes da emissão de certidões e autorizações de intervenção.
