Leonor Rocha, Diretora da Escola de Ciências Sociais da Universidade de Évora, docente do Departamento de História e Coordenadora da área de Arqueologia da instituição, participou numa reportagem emitida no passado dia 6 de junho no Primeiro Jornal da SIC Notícias para comentar a destruição de duas antas e de uma villae romana na Herdade das Atafonas, localizada na freguesia de Torre de Coelheiros, concelho de Évora. O caso, que já motivou a abertura de um processo de inquérito interno pela Câmara Municipal de Évora e pela Unidade de Cultura da CCDR Alentejo — que irá encaminhar a situação para o Ministério Público —, está diretamente relacionado com trabalhos agrícolas de preparação do terreno para a plantação de nogueiras, intervenção essa que terá provocado a destruição irreversível de vestígios arqueológicos de elevado valor patrimonial.
Durante a sua intervenção na reportagem, a arqueóloga e investigadora explicou detalhadamente a relevância crucial destes monumentos para a compreensão das comunidades que habitaram o território alentejano há milhares de anos, recordando que as antas constituem estruturas funerárias com cerca de cinco mil anos de antiguidade, integradas numa paisagem cultural única e altamente representativa do megalitismo alentejano. Leonor Rocha aproveitou o momento para sublinhar a importância premente dos mecanismos de planeamento territorial e da articulação entre as diversas entidades responsáveis pela gestão do património, afirmando que, quando um projeto entra, independentemente de ser urbano, de estar inserido nas Muralhas de Évora ou simplesmente perdido no meio rural, o Plano Diretor Municipal de Évora, enquanto instrumento de ordenamento do território, tem obrigatoriamente de garantir a coordenação estratégica de uma autarquia.
A docente da Universidade de Évora destacou ainda a responsabilidade coletiva que urge na preservação do património cultural, defendendo de forma clara que o conhecimento científico atualmente disponível impõe uma maior consciência social e institucional sobre a necessidade da sua salvaguarda. Ao abordar o impacto desta perda, a especialista relembrou que se trata da nossa herança cultural e questionou quantas pessoas já terão sido proprietárias daquelas terras ao longo de cinco mil anos, rematando que, na atualidade e com o vasto acesso à ciência, já não é admissível invocar o desconhecimento.
A participação da investigadora contribuiu assim para enquadrar cientificamente um caso que está a suscitar enorme preocupação junto da comunidade académica e das entidades de proteção do património, surgindo numa altura sensível em que o megalitismo do Alentejo se encontra em pleno processo de classificação como Património de Interesse Público, num inventário que abrange mais de dois mil monumentos.
imagem de capa: Leonor Rocha, Diretora da Escola de Ciências Sociais da Universidade de Évora
