O Ministério Público instaurou um inquérito criminal para investigar a destruição de duas antas megalíticas e uma villa romana na Herdade das Atafonas, Évora, ocorrida durante a instalação de um nogueiral intensivo pela empresa Nogam, entre 2016 e 2017.
A Procuradoria-Geral da República confirmou a investigação na sequência de denúncias que vieram a público em junho, que apontaram a perda de património com mais de 5 mil anos.
Especialistas, como Leonor Rocha da Universidade de Évora, lamentaram a destruição de vestígios arqueológicos, restando agora poucos vestígios no local. Paralelamente, a Câmara Municipal de Évora abriu um inquérito interno para apurar a falta de salvaguarda dos monumentos na certidão emitida para o projeto. A empresa responsável, o Grupo Sogepoc, alegou desconhecimento da existência dos vestígios históricos durante a plantação.
A CCDR Alentejo, através do vice-presidente para a Cultura, Henrique Sim-Sim, remeteu esclarecimentos para um futuro comunicado, evitando declarações imediatas. O processo judicial visa agora determinar responsabilidades criminais pela destruição do património.
O megalitismo do Alentejo está em processo de classificação como Património de Interesse Público, com mais de dois mil monumentos inscritos. As duas antas da Herdade das Atafonas foram destruídas antes de qualquer proteção formal poder ser aplicada, reacendendo o debate sobre a necessidade urgente de cruzar os projetos agrícolas com o cadastro arqueológico existente antes da emissão de certidões e autorizações de intervenção.
