6 Junho 2018      14:55

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Alentejo, planície de oportunidades

O Alentejo vive um período de grande dinamismo!

O património natural, histórico, cultural, aliado à gastronomia e aos vinhos, assumem-se como pontos de referência para quem visita a região. Ninguém tem dúvidas de que o turismo, nas suas diversas vertentes, tem dados sinais de qualidade e competitividade, o que converte este sector numa alavanca de desenvolvimento.

Apesar das dificuldades decorrentes da crise económica recente, penso que o nosso Alentejo e as suas gentes têm demonstrado uma vitalidade que assume contornos importantes e que permite, na minha opinião, ter esperança no futuro. A desertificação deixou marcas, assim como o envelhecimento generalizado da população. Apesar disso e de todas as adversidades, o espirito tenaz e combativo dos Alentejanos, característica secular, tem trazido benefícios evidentes, com a colocação da nossa região “no mapa”.

A promoção da oferta do Alentejo, a nível cultural, gastronómico, vinícola e turístico, tem como consequência um conjunto muito significativo de benefícios que devem continuar a ser aproveitados, graças a esta “onda” de entusiasmo que está a ser gerada, também através da mediatização desse legado.

O cante, como expoente máximo das particularidades da região e dos seus usos e costumes, viu a classificação como Património Mundial da UNESCO converter-se numa realidade. Este processo demonstrou bem que temos todas as condições de lutar pelos nossos objetivos, ainda que estes pareçam inalcançáveis. O mesmo se aplica em relação à Arte Chocalheira e aos Bonecos de Estremoz. Estes bons exemplos devem ser seguidos e valorizados.

Em termos turísticos, o aumento de número de camas e de unidades de hotelaria e restauração tem demonstrado a importância económica deste sector. E creio que é justo falarmos não somente de um aumento quantitativo, mas também de um salto qualitativo no que concerne aos serviços prestados. A excelência dos produtos regionais, as particularidades e benefícios da Dieta Mediterrânica (também ela classificada pela UNESCO) e o know-how na preparação das receitas têm vindo a transformar o Alentejo num destino privilegiado para os amantes da boa comida. O que definitivamente marca a diferença, na minha ótica, é a aposta em produtos genuínos e distintos em relação ao resto do país e, atrevo-me a dizer, do Mundo.

São muitos os tesouros desta terra, que podem e devem ser aproveitados para promover o seu desenvolvimento e a fixação de populações. Bem sabemos que muitos municípios têm apostado nessa valorização e os frutos são cada vez mais evidentes, através da promoção não só do turismo, mas também da implementação de incentivos e políticas de âmbito social.

Sabemos hoje que o Turismo, segundo o Ministério da Economia e do Emprego, é um sector de desenvolvimento estratégico para Portugal. Segundo os últimos dados, as receitas têm vindo a aumentar, assim como o número de postos de trabalho. Temos verificado uma melhoria muito significativa na aliança entre infraestruturas e recursos humanos. E o Alentejo tem assistido, nos últimos anos, ao lançamento de numerosos projetos turísticos de levada qualidade e inegável potencial. Neste cenário otimista, o Alentejo assume um papel de destaque com a maior contribuição relativa em termos nacionais, com crescimentos anuais da ordem dos 11%.

Nesta perspetiva, e como tenho vindo a defender, penso que o Turismo Cultural foi desenvolvido como uma opção válida em relação ao modelo tradicional, como resposta a uma procura mais exigente, segmentada e em mudança. Falamos de públicos e turistas mais cultos, com maior nível de formação, mais sensíveis a novas propostas patrimoniais, consubstanciadas por rotas e percursos pedonais. Estes “novos” turistas são motivados pelo conhecimento da cultura, dos costumes, de tradições e de identidades diferentes. Por estes factos, a inserção do património cultural nas atividades turísticas tem vindo a ganhar um peso cada vez mais significativo.

Os planos de turismo cultural conectados ao património devem assumir uma forte componente territorial, potenciando a valorização de monumentos e lugares com significado histórico, cultural e religioso. E o Alentejo é um “palco” privilegiado nesse sentido. A aplicação destas estratégias permite por outro lado a conservação dos lugares de memória e de identidade, algo que pode ser alcançado através das receitas geradas pelo turismo, através de planos de sustentabilidade.

No caso específico da Zona dos Mármores, aliar todas as componentes referidas deste sector às diferentes valências e formas de exploração possibilita a oferta de um amplo leque de atrações, que certamente não deixarão aqueles que nos pretendem visitar indiferentes.

Temos património edificado, uma história local muito rica em acontecimentos, personalidades importantes das Artes e Letras que tiveram aqui o seu berço, o mármore as pedreiras com diversas possíveis utilizações, gastronomia de excelência, vinhos e unidades hoteleiras de referência a nível nacional e internacional. Isto para não falar do carácter hospitaleiro dos habitantes. Promover este território, criando rotas e circuitos que incluam diferentes opções, parece-me ser o caminho. Basta haver vontade e diálogo entre os intervenientes.

Creio que a promoção de eventos culturais de qualidade deve ser uma aposta, pensados e planeados de forma adequada às exigências dos tempos atuais, como uma forma de dinamizar o turismo local e regional de modo ainda mais efetivo.

 
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