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Saúde

Alentejo com acesso à saúde abaixo da média nacional

Apesar do crescimento global do Serviço Nacional de Saúde (SNS), o Alentejo continua a enfrentar sérias dificuldades no acesso a cuidados médicos, segundo o Relatório de Avaliação de Desempenho e Impacto do Sistema de Saúde (RADIS), divulgado hoje, quarta-feira, pela Convenção Nacional da Saúde.

Segundo a agência Lusa, o número de utentes inscritos no SNS aumentou mais de 522 mil entre 2016 e 2025, mas o Alentejo registou uma quebra, explicada pelo declínio demográfico e pela migração interna.

Esta evolução aponta como implicações futuras maior pressão sobre a sustentabilidade financeira do SNS, sobretudo nas regiões mais populosas e envelhecidas, exigindo reforço da capacidade de resposta e políticas de equidade territorial.

A região alentejana apresenta uma das mais baixas densidades de médicos por mil habitantes (1,4), ficando abaixo da média nacional (2,1) e muito distante de zonas como Coimbra, que lidera com 4,1.

Também na enfermagem, o Alentejo está abaixo da média, refletindo desigualdades persistentes na distribuição de profissionais.

O relatório alerta ainda para dificuldades sérias em especialidades médicas, com casos públicos como o encerramento de urgências obstétricas por falta de especialistas.

Além disso, em 2024, 14,5% dos utentes dos cuidados de saúde primários não tinham médico de família, com diferenças regionais marcadas.

Apesar de melhorias em indicadores como a mortalidade evitável e a taxa de cirurgias dentro dos prazos legais, o estudo sublinha que persistem tensões no sistema e que regiões como o Alentejo exigem políticas de atração de profissionais, com incentivos financeiros e melhores condições de trabalho para garantir equidade territorial.

Note-se que o Relatório de Avaliação de Desempenho e Impacto do Sistema de Saúde (RADIS), da Convenção Nacional da Saúde, traça, com base em 35 indicadores, “uma fotografia abrangente do desempenho do sistema de saúde em Portugal”, cruzando recursos disponíveis, resultados alcançados e a perspetiva dos doentes, articulando saúde com bem-estar social e económico.

 

Fotografia de observador.pt

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