O Alentejo assume um papel de grande destaque e contraste nos novos dados do Índice Sintético de Desenvolvimento Regional (ISDR) relativos a 2024, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que expõem as profundas assimetrias de um país onde apenas cinco das 26 sub-regiões conseguem superar a média nacional. No coração deste cenário, o Alentejo Central surge como o principal motor de equilíbrio da região sul.
Composto pelos 14 municípios do distrito de Évora, posiciona-se como a única sub-região alentejana em terreno positivo tanto na coesão social como na qualidade ambiental. O Alentejo Central destaca-se ainda ao liderar a competitividade económica em todo o Alentejo com um índice de 90,11, fixando-se como uma das raras exceções nacionais capazes de conciliar bem-estar social, preservação ambiental e um desempenho económico robusto face à forte centralização litoral.
Por outro lado, o território alentejano vive realidades opostas quando analisado o indicador da sustentabilidade.
O Alto Alentejo e o Baixo Alentejo afirmam-se como verdadeiros pulmões de Portugal, alcançando resultados brilhantes no capítulo ambiental, onde superam o registo da Madeira e ficam apenas atrás dos Açores no topo do ranking nacional do ar que se respira. Este excelente desempenho ambiental contrasta drasticamente com a realidade do Alentejo Litoral. Influenciado pelo forte impacto do desenvolvimento industrial do complexo de Sines, o Alentejo Litoral afunda-se na tabela e apresenta-se, a par de Aveiro, com o pior índice de qualidade ambiental do país, registando uma quebra superior a 5% em relação à média nacional. O panorama global do Alentejo reflete, assim, a complexa dualidade portuguesa, dividida entre o progresso industrial poluente e a urgente necessidade de coesão e preservação do interior.
