2 Março 2021      10:05

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Agricultura intensiva ameaça flora no concelho de Beja

A associação ambientalista Zero alertou que estão a ser destruídas quatro populações de espécies de flora ameaçada, no concelho de Beja, devido à agricultura intensiva.

Em comunicado, citado pela agência Lusa, a associação garante que, após a denúncia, constatou no local que “está a ocorrer a destruição de populações de várias espécies da flora ameaçadas, na sequência do arranque de mais um olival tradicional, com recurso a mobilizações de solo para instalação de um projeto de agricultura intensiva”.

Esta alegada destruição “está a acontecer junto a Beringel, dentro do perímetro de rega de Alqueva”, adiantando que são “importantes populações” das plantas ‘Linaria ricardoi’ (espécie em perigo), ‘Bellevalia trifoliata’ (espécie em perigo), ‘Echium boissieri’ (espécie vulnerável) e ‘Galium viscosum’ (espécie vulnerável).

A associação explica ainda que já informou o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) da situação, embora afirme não ter grandes expetativas quanto à sua atuação, porque os locais em causa não são áreas classificadas. A Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA) também foi informada.

A situação foi igualmente relatada ao Ministério do Ambiente e Ação Climática, e foi proposto que se acrescentem áreas à zona especial de conservação, para garantir a preservação da espécie “fortemente ameaçada pelo avanço das culturas permanentes intensivas na área de Alqueva”. O alerta da Zero “foi completamente ignorado pela equipa ministerial”, diz a associação.

Neste sentido, a Zero exige ao Ministério do Ambiente que deixe de concentrar as suas preocupações “no imprudente processo de cogestão das Áreas Protegidas” e centre, desde já, “a sua atuação na preservação os valores naturais ameaçados, muitos dos quais localizados fora das Áreas Classificadas”. Além disso, a associação diz ser urgente “melhorar a coerência ecológica e a eficácia da Rede Natura 2000”.

Relativamente à ‘Linaria ricardoi’, uma planta com flor, a Zero alerta que há “insuficiências graves” na aplicação da Diretiva Habitats, porque as populações estão quase, totalmente, fora de zona especial de conservação. Esta Diretiva obriga a que os Estados-membros da União Europeia assegurem a preservação dos habitats das espécies de interesse comunitário, delimitando áreas para o efeito.

“Além das evidentes debilidades na representatividade de algumas espécies e habitats na Rede Natura 2000, passados mais de 20 anos sobre a designação de áreas destinadas à sua preservação, o país continua a não possuir um Cadastro Nacional dos Valores Naturais Classificados, um arquivo de informação sobre os valores naturais classificados e as espécies vegetais ou animais a que seja atribuída uma categoria de ameaça pela autoridade nacional, de acordo com critérios internacionais definidos pela União Internacional para a Conservação da Natureza”, afirma a Zero no mesmo documento.

O cadastro, acrescenta, já teria disponível a maior parte da informação, porque já existem as listas vermelhas da flora vascular e dos invertebrados, e já foram revistos os livros vermelhos dos peixes de águas dulçaquícolas e migradores, anfíbios e répteis, aves e mamíferos.

 

Fotografia de panoss.fotki.com

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