A Junta de Freguesia de Porto Covo informou a população que as acácias centenárias do Largo Marquês de Pombal serão abatidas, na sequência de uma queixa de um proprietário vizinho e de uma determinação judicial. A intervenção está prevista para setembro e outubro de 2026, com replantação de novas espécies adequadas ao enquadramento paisagístico do local.
A queixa apresentada pelo proprietário alegava danos provocados pelas raízes de uma das árvores na sua habitação. Apesar de reconhecer o valor histórico e identitário das acácias — consideradas parte do património natural de um espaço classificado como conjunto de interesse público —, a Junta sublinha estar legalmente obrigada a cumprir a decisão judicial.
O caso encerra uma contradição assinalada pela própria autarquia: as acácias são espécies exóticas invasoras, cuja remoção está em linha com a política nacional e europeia de controlo de invasoras, mas são também árvores de grande porte que fazem parte da memória visual do largo há décadas. A reação da comunidade foi de surpresa e indignação, com a publicação da Junta a gerar centenas de reações nas redes sociais.
O Largo Marquês de Pombal é um dos espaços mais emblemáticos do litoral alentejano, remanescente do projeto urbanístico pombalino do século XVIII que inspirou o traçado da aldeia de Porto Covo.
