Os mais recentes indicadores macroeconómicos de Portugal revelam uma trajetória de consolidação orçamental e uma das maiores reduções homólogas da dívida pública na União Europeia, embora o cenário seja acompanhado por um agravamento dos custos do crédito à habitação e por uma perda de fôlego no excedente das contas externas.
No plano das finanças públicas, Portugal manteve uma trajetória sólida no segundo trimestre de 2026, ao registar um excedente orçamental de 0,8% do PIB, superando o desempenho médio da Zona Euro (-3,3%) e da União Europeia (-3,5%). No mesmo período, o rácio da dívida pública portuguesa fixou-se em 92,5% do PIB. Apesar de representar um ligeiro aumento face aos 90,4% do trimestre anterior, este indicador caiu 3,4 pontos percentuais em comparação com o período homólogo de 2025, posicionando Portugal como o quarto país da União Europeia com a maior descida anual da dívida, atrás apenas da Grécia, Chipre e Eslovénia.
Em sentido inverso, as famílias portuguesas continuam a enfrentar uma pressão crescente no imobiliário. Em setembro de 2026, a taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito à habitação subiu para 3,194%, impulsionada também pelo encarecimento dos novos empréstimos (celebrados nos últimos três meses), cuja taxa média escalou para 2,959%. Este agravamento refletiu-se diretamente no bolso dos consumidores: a prestação mensal média fixou-se nos 423 euros — um aumento de 5 euros face ao mês anterior e de 30 euros em termos homólogos —, sendo que mais de metade deste valor (50,4%) serviu exclusivamente para pagar juros ao banco. Adicionalmente, o endividamento médio fixou-se em 80 843 euros por contrato.
No setor externo, as transações financeiras e comerciais de Portugal com o resto do mundo apresentaram um desempenho mais contido do que no ano anterior. Entre janeiro e agosto de 2026, o excedente acumulado das balanças corrente e de capital caiu para 4 050 milhões de euros, comparando negativamente com os 5 535 milhões registados no mesmo período de 2025. Esta contração é amplamente justificada pelo comportamento das trocas comerciais nos primeiros oito meses do ano, intervalo em que o crescimento acumulado das importações (9,2%) superou o ritmo de expansão das exportações de bens e serviços (5,7%), reduzindo a taxa de cobertura para os 100,7%. Ainda assim, o mês isolado de agosto trouxe uma recuperação, com um forte excedente mensal de 1 653 milhões de euros nas balanças corrente e de capital e uma balança financeira positiva em 1 605 milhões de euros.
