O Ministério da Agricultura e Mar revelou que o Governo vai avançar com um pacote financeiro de 40 milhões de euros para atenuar a escalada dos custos de produção no setor agrícola, impulsionada pelo atual conflito no Médio Oriente. O ministro José Manuel Fernandes classificou o ano de 2026 como extremamente complexo para a agricultura nacional, garantindo que o executivo está a mobilizar todos os recursos possíveis.
Com esta dotação, os apoios totais acumulados fixam-se em 36 euros por hectare para culturas de sequeiro e 84 euros para regadio. No setor pecuário, as ajudas globais alcançam 30 euros por vaca em aleitamento, 36 euros por vaca leiteira e 4,50 euros por ovino ou caprino elegível. Adicionalmente, o Governo confirmou a extensão do desconto extraordinário de 10 cêntimos por litro no gasóleo agrícola e florestal até ao final do ano.
Em contrapartida, a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) contestou duramente a eficácia destas medidas e convocou uma reunião de urgência do seu Conselho de Presidentes para o próximo dia 28 de setembro, em Lisboa. A organização acusa o executivo de passividade face à crise energética e à subida do preço dos fertilizantes, lamentando que o apoio ao combustível chegue tarde e com retroativos limitados. A CAP aponta o exemplo de Espanha — que avançou com pacotes de apoio muito superiores e incentivos industriais desde março — como prova da desvantagem competitiva a que os produtores portugueses estão sujeitos.
A confederação critica ainda o desperdício de fundos comunitários, alertando que, pela primeira vez na história da Política Agrícola Comum, Portugal não vai esgotar a margem de cofinanciamento nacional permitida pela União Europeia. A par da asfixia financeira, a CAP adverte para a falta de uma resposta estruturada perante o agravamento dos fogos rurais à escala europeia, exigindo a criação de um corpo de intervenção específico no país. Perante o cenário atual, a direção da confederação assume uma rutura institucional com a tutela, afirmando que a confiança no executivo se quebrou de forma definitiva e prometendo anunciar um plano de protestos após a reunião do conselho.
