O Lar da Santa Casa da Misericórdia de Veiros, localidade do concelho de Estremoz, está no centro de um surto de doença respiratória que desde domingo causou quatro mortes e deixou 25 utentes com sintomas compatíveis com gripe A. A Procuradoria-Geral da República confirmou hoje a instauração de um inquérito, precisando que até ao momento não foram constituídos arguidos — um procedimento de praxe quando ocorrem mortes em lares em contexto de surto, destinado a apurar as circunstâncias dos óbitos. As quatro vítimas mortais, dois homens e duas mulheres com idades entre os 89 e os 95 anos, já apresentavam doenças prévias, segundo a provedora da Santa Casa, Ermelinda Xarepe. Dos 38 utentes que se encontravam no lar no início do surto, a confirmação laboratorial de Influenza A foi estabelecida em apenas um dos óbitos — nos restantes casos não foi possível, nesta fase, estabelecer uma relação directa entre as mortes e o agente identificado.
A Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC) revelou que 25 dos 28 utentes do lar apresentam sintomas compatíveis com gripe A: três estão internados no Hospital do Espírito Santo de Évora, um encontra-se em observação na urgência e 21 permanecem no lar com sintomas. Na quinta-feira, a Unidade de Saúde Pública efectuou uma vistoria ao lar, tendo constatado que estão a ser cumpridas as medidas de higienização, isolamento e protecção individual, com recomendações adicionais fornecidas nas áreas onde foram identificadas oportunidades de melhoria.
A confirmação de um surto de Influenza A num lar de idosos ainda em setembro — antes do arranque oficial da época gripal — é um sinal de alerta que as autoridades de saúde pública não podem ignorar. A vacinação da gripe arranca a 30 de setembro, alargada este ano a crianças dos dois aos quatro anos, numa coincidência de calendário que sublinha a urgência da imunização das populações mais vulneráveis. Os lares de idosos são, pela sua natureza — população envelhecida, frequentemente com comorbilidades, em espaço fechado e partilhado —, os ambientes de maior vulnerabilidade a surtos respiratórios. O que aconteceu em Veiros esta semana é um lembrete dramático de que a protecção desta população exige vigilância permanente, vacinação atempada e protocolos de resposta rápida desde os primeiros sinais de doença.
