Tribuna Alentejo
eolico
Alentejo Litoral

Parque eólico em Arcos de Valdevez quer abastecer Sines

O projeto de um novo parque eólico, previsto para a região de Arcos de Valdevez e Monção e que visa abastecer o polo tecnológico de Sines, está a ser contestado pela FAPAS – Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade, que lançou uma petição pública contra o projeto.

De acordo com o Jornal de Notícias, a petição já reúne 1456 assinaturas. O empreendimento é proposto pela empresa Madoqua IPP e prevê-se que ocupe uma área de 7828 hectares e a instalação de uma linha elétrica de muita alta tensão numa extensão total de cerca de 76 289 hectares.

O projeto abrange parte do Parque Nacional da Peneda-Gerês e sobrepõe-se às zonas especiais da Rede Natura 2000 e da Reserva da Biosfera Gerês e Habitats Naturais. Os corredores para ligação do parque às subestações intercetam, ainda, a Zona Especial de Conservação do Rio Lima. 

O objetivo do parque eólico de Arcos de Valdevez é a produção de energia elétrica, que será “introduzida, através da rede elétrica de serviço público, para um futuro polo energético e tecnológico de Sines, a localizar na Zona Industrial e Logística de Sines, onde serão instalados eletrolisadores de alta capacidade e demais instalações industriais, com a qual será produzido hidrogénio e amoníaco verde, para fornecimento tanto à indústria local como a clientes pan-europeus”.

Segundo a mesma fonte, o projeto está a avançar no que respeita a questões de licenciamento, estando a decorrer a consulta pública do estudo de impacto ambiental até 16 de maio. A elaboração do estudo prévio está numa fase inicial. Depois de licenciada, a obra será executada no prazo de um ano.

Para a FAPAS, que defende a recusa do licenciamento, “as áreas protegidas ou classificadas – entre elas o único parque nacional do país – devem ser consideradas um valor, um ativo nacional, intocável, quer por razões ambientais quer por razões económicas”.

A associação recorda que a área de estudo do empreendimento eólico “tem como centro a emblemática aldeia de Sistelo, classificada em 2017 como Monumento Nacional Paisagem Cultural de Sistelo. Não serão uns quantos milhares de euros pagos pelo aluguer dos terrenos durante 30 anos que justificam, numa perspetiva coletiva, regional e nacional, o licenciamento do projeto”.

O funcionamento dos 32 aerogeradores “pode atingir níveis sonoros de 92 dB(A) a 106.9 dB(A), dependendo da velocidade do vento”, adverte a FAPAS, o que corresponde a níveis de ruído equivalentes “a um concerto de rock”. Cada torre terá uma altura de 112 metros.  O empreendimento prevê a criação de uma rede de acessos viários aos aerogeradores.

Note-se que, na proposta em consulta pública, consta que foi realizado um estudo, entre setembro e novembro de 2024, com o objetivo de identificar “as principais condicionantes ambientais que pudessem de alguma forma influenciar/restringir a implantação das infraestruturas” do parque e respetiva linha elétrica.

Este estudo levou à reconfiguração da proposta, prevendo o “afastamento a zonas muito críticas para aves de rapina, melhor compatibilização com a REN, salvaguarda do domínio hídrico, aumento de distância a aglomerados populacionais e eliminação de recetores a sul da área de estudo”.

Artigos relacionados

Crise na produção de arroz ameaça agricultores de Alcácer do Sal

Redação Alentejo

Sines precisa de 10 milhões € para intervir com urgência na rede de saneamento e distribuição de água. Pedido já foi feito ao Governo

Redação Alentejo

Grândola faz 482 anos com um mês de comemorações

Redação Alentejo

Sobe para 11,5 toneladas a droga apreendida na costa portuguesa. Só ontem em Odemira, Sines e Figueira foram 6,5 toneladas

Redação Alentejo

Mais de meia tonelada de cocaína e haxixe deram à costa em Grândola

Redação Alentejo

Crianças de Odemira inauguram a sua nova biblioteca escolar

Redação Alentejo