O mundo assinala hoje, 3 de maio, o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, numa data marcada por um diagnóstico preocupante: a liberdade de imprensa global atingiu o nível mais baixo dos últimos 25 anos, segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Menos de 1% da população mundial vive em países com uma situação considerada “boa” de liberdade de imprensa — quando em 2002 essa percentagem era de 20%.
Portugal desceu dois lugares no ranking da RSF, passando do 8.º para o 10.º lugar, mantendo a classificação de “satisfatório” com 83,71 pontos em 100. O topo da lista é liderado pela Noruega, único país com classificação de “excelente”, seguida dos Países Baixos, Estónia, Dinamarca, Suécia e Finlândia.
A nível global, a RSF contabilizou 503 jornalistas detidos em 47 países, com destaque para a China (121), Rússia (48) e Myanmar (47). Há ainda 135 jornalistas desaparecidos e 20 reféns, principalmente na Síria e no Iémen. O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para o aumento de jornalistas mortos e para a pressão crescente sobre a liberdade de imprensa, sublinhando que a desinformação e as novas tecnologias aprofundam a desconfiança e enfraquecem a coesão social.
A conferência global de 2026, sob o tema “Shaping a Future at Peace”, realiza-se nos dias 4 e 5 de maio em Lusaca, Zâmbia, com foco na interseção entre jornalismo, inteligência artificial e direitos humanos. Em Portugal, a efeméride é assinalada com a inauguração da exposição “Francisco Pinto Balsemão – Um legado de liberdade e democracia”, em homenagem ao fundador do grupo Impresa.
