A ministra do Ambiente e Energia anunciou, na manhã deste sábado, em Beja, que o Governo vai repor os 60 milhões de euros destinados ao projeto de modernização, requalificação e eletrificação da Linha Ferroviária do Alentejo, no troço entre Casa Branca e Beja. A garantia foi dada à margem da cerimónia de assinatura de protocolos de colaboração técnica e financeira entre a Agência Portuguesa do Ambiente e a Câmara Municipal de Beja, realizada no Salão Nobre dos Paços do Concelho.
Em declarações aos jornalistas, Maria da Graça Carvalho explicou que o financiamento será assegurado através do Programa Operacional Sustentável 2030 e, caso se revele necessário, complementado por verbas do Orçamento do Estado. Segundo a governante, a decisão será formalizada através de uma resolução governamental, de forma a garantir enquadramento jurídico claro e estabilidade ao investimento previsto para a ferrovia no Baixo Alentejo.
O presidente da Câmara Municipal de Beja, Nuno Palma Ferro, manifestou confiança na reposição da verba, sublinhando que o município sempre acreditou na concretização do financiamento. O autarca lembrou que se trata de uma obra de longa duração, estimada em cerca de seis anos, salientando que a população da região aguarda há cerca de duas décadas por esta intervenção estruturante. Para o responsável municipal, o mais relevante é assegurar que o investimento seja concretizado, mesmo que implique um horizonte temporal alargado.
No mesmo contexto, a ministra revelou ainda que uma das primeiras automotoras adquiridas pela CP à fabricante suíça Stadler terá como destino a região do Alentejo. De acordo com Maria da Graça Carvalho, trata-se de um compromisso assumido pelo ministro das Infraestruturas, sendo que, por se tratar de material circulante de sistema dual, a gasóleo e elétrico, uma dessas composições poderá assegurar o serviço no traçado até Beja, cuja linha ainda não se encontra eletrificada.
Recorde-se que, no passado dia 5 de dezembro, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo anunciou ajustamentos no âmbito do programa Alentejo 2030, após uma reunião que envolveu a Comissão Diretiva do programa, a Infraestruturas de Portugal e a Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo. A decisão teve por base as baixas taxas de execução dos investimentos ferroviários numa fase inicial, levando à transferência temporária de verbas para projetos com maior rapidez de implementação.
Nesse encontro, a Infraestruturas de Portugal confirmou que o concurso para a obra ferroviária será lançado integralmente no início de 2026, estando prevista a execução em três lotes até 2032. O primeiro abrangerá o troço entre Casa Branca e Vila Nova da Baronia, o segundo entre Vila Nova da Baronia e Cuba, e o terceiro entre Cuba e Beja. Apesar de o calendário global se estender até 2032, o objetivo do Governo passa por garantir que, até 2030, estejam executados pelo menos 300 milhões de euros de investimento, meta que poderá agora ser viabilizada com o reforço do apoio governamental.
Imagem Antero Pires
