A Associação Portuguesa de Insuficientes Renais (APIR) lançou o alerta para a grave escassez de médicos, enfermeiros e técnicos especializados nas unidades de diálise do Alentejo, situação que está a impedir doentes renais de passar férias na região ou de aqui residirem com a garantia de acesso aos tratamentos de hemodiálise. Segundo o presidente da associação, Paulo Urbano, em declarações à Lusa, tem aumentado o número de queixas de doentes obrigados a cancelar ou alterar os seus planos de férias por não conseguirem vaga para realizar os tratamentos no Alentejo e no Algarve — tratamentos que, pela sua natureza, não podem ser adiados ou interrompidos sem risco directo para a vida dos doentes.
A dificuldade em recrutar e fixar profissionais de saúde especializados no interior e no sul do país não é um problema recente, mas a APIR sublinha que a situação se agrava de forma significativa durante os meses de verão, quando a procura pelas unidades de diálise aumenta com a chegada de doentes que acompanham familiares em férias ou que tentam deslocar-se temporariamente para a região. O resultado é uma capacidade de resposta reduzida precisamente quando mais é exigida, colocando doentes renais numa situação de vulnerabilidade acrescida que contraria os princípios de equidade e universalidade do acesso aos cuidados de saúde.
A APIR apelou ao Ministério da Saúde e às entidades responsáveis pelos serviços de saúde no Alentejo e no Algarve para que encontrem soluções urgentes, defendendo o reforço imediato dos recursos humanos e medidas estruturais que permitam valorizar e fixar profissionais especializados nestas regiões. Para uma região como o Alentejo — que luta há décadas contra a escassez de médicos em múltiplas especialidades —, garantir que nenhum doente renal fique privado de férias ou do acesso a um tratamento indispensável à sua sobrevivência é, acima de tudo, uma questão de dignidade e de justiça territorial.
