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Évora: Assembleia controversa chumba referendo à garraiada dos estudantes

Os estudantes da Universidade de Évora decidiram esta madrugada manter a garraiada na Queima das Fitas. Fonte ligada ao processo fala em processo atribulado e num chumbo ao referendo por "7 votos".

A Universidade de Évora prepara-se para os festejos anuais da Queima das Fitas, marcados este ano pela polémica em volta da garraiada.

O debate em torno da manutenção desta "tradição" nos festejos das Queimas das Fitas começou em Coimbra com um referendo a ditar o fim da Garraiada, com o apoio de mais de 70% dos votos, e ameaça espalhar-se por todo o país, onde é uso a utilização de touros juvenis em simulações de pegas como as que acontecem em touradas.

Esta semana a Associação Académica de Évora fez saber em comunicado que pretendia discutir o assunto em assembleia geral de estudantes, o que aconteceu já esta madrugada numa assembleia "atribulada" onde foi preciso recontar os votos, por dúvidas levantadas pela Mesa daquela Assembleia-Geral. Após uma primeira votação, que aprovou o referendo com uma diferença de 3 votos, a Mesa pediu uma recontagem e que resultou no chumbo ao referendo, por uma diferença de 7 votos, já que 124 estudantes votaram contra a hipótese de referendo, que foi apoiado por 117 votos favoráveis.

Para a Associação Cantinho dos Animais, que tem defendido a realização do referendo, não se compreende a "decisão de se votar sobre a realização ou não de um referendo. Um referendo é um instrumento da democracia e serve para os eleitores se pronunciarem de forma directa e secreta sobre determinado assunto". Aquela associação faz ainda saber em comunicado que não compreende a repetição da votação já que "a primeira votação foi favorável à realização do referendo. Sabemo-lo por testemunhas no local, comprovadas pelo vídeo divulgado pelo PAN Évora. Não compreendemos porque decidiu a Mesa da Assembleia efectuar nova votação, num claro desrespeito pelos valores democráticos", concluem, lamentando que "os exemplos do Porto e Coimbra não sirvam à Academia de Évora e que esta opte por ser contra o progresso civilizacional e cultural que lhe seria esperado".

Já o PAN – Pessoas, Animais, Natureza, fala em "vergonha" por considerarem que o sim ao referendo já havia vencido e que a recontagem dos votos alterou o resultado da votação.

Ainda antes da realização da Assembleia de Estudantes, Ana Rita Silva, presidente da Associação Académica, em declarações à Agência Lusa admitia que a direção da AAUE estava dividida sobre o assunto porque é "uma equipa bastante grande e cada um tem a sua opinião", sublinhando que a associação académica "não assume qualquer posição nem a favor nem contra".

 

Imagem de capa de Marcos Borga/LUSA

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