Tribuna Alentejo
Politica Nacional

Cinco obras de estradas do PRR por concluir — quase todas no Alentejo

A Infraestruturas de Portugal admitiu, em resposta à RTP Antena 1, que a um mês do término do Plano de Recuperação e Resiliência restam cinco obras rodoviárias por concluir, quase todas no Alentejo. Dos 542 milhões de euros disponibilizados pelo PRR para a empresa, 89% já foram executados, faltando cumprir uma meta na componente de investimento em “Missing Links e Aumento de Capacidade”, que se encontra com uma execução de 87% e diz respeito sobretudo a vias alentejanas — a ligação a Sines, a Variante Nascente de Évora e variantes urbanas no distrito de Beja. Das sete obras já concluídas, nenhuma é no Alentejo — as obras alentejanas são precisamente aquelas que ficaram para trás.

O IP8 concentra os casos mais críticos, com três intervenções em atraso: o aumento de capacidade na ligação entre Sines e a A2 no lanço entre Relvas Verdes e Roncão; a Nacional 121 entre Ferreira do Alentejo e Beja, incluindo a variante a Beringel; e a Nacional 259 entre Santa Margarida do Sado e Ferreira do Alentejo, incluindo a variante de Figueira de Cavaleiros — estas duas últimas descritas como “já maioritariamente concluídas”. As outras duas obras pendentes são a Variante Nascente de Évora no IP2 e uma variante à Nacional 211 no distrito do Porto. A IP garante que cumprirá todas as metas e maximizará a execução financeira após agosto, nos termos previstos contratualmente — uma formulação que sugere que trabalhos poderão prolongar-se para além do prazo formal do PRR.

O facto de as obras por concluir serem quase todas no Alentejo não é uma coincidência — é a expressão de um padrão que a região conhece bem. A ligação Sines-A2, a Variante Nascente de Évora e as variantes no distrito de Beja representam décadas de reivindicações de autarcas, populações e agentes económicos do interior alentejano. O cenário é agravado pelo contexto em que a IP opera: a empresa estima em 400 milhões de euros os custos de recuperação dos danos provocados pelas tempestades de início de 2026, com 21 estradas ainda cortadas e dois troços ferroviários sem circulação. Ver as obras alentejanas listadas entre as “por concluir” a um mês do fim do PRR é, para a região, mais do que um atraso administrativo — é a confirmação de uma assimetria que continua a custar caro ao seu desenvolvimento.

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