Tribuna Alentejo
Saúde

Urgência de Obstetrícia do Hospital de Portalegre encerra 54 horas por falta de médicos

A Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo confirmou o encerramento da Urgência de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital Dr. José Maria Grande, em Portalegre, entre as 00h00 de segunda-feira e as 08h00 de quarta-feira, num total de 54 horas consecutivas sem cobertura obstétrica urgente no único hospital público do distrito. A causa é a falta de médicos obstetras disponíveis para assegurar a escala de serviço nesse período. A maternidade permanecerá em funcionamento para partos programados e gravidezes de baixo risco, mas as situações urgentes e não programadas que necessitem de avaliação imediata serão encaminhadas para outro hospital através da Linha SNS 24 (808 24 24 24), que as utentes são aconselhadas a contactar antes de se deslocarem ao hospital.

O encerramento, embora temporário, expõe uma fragilidade estrutural que se tem tornado recorrente nos hospitais do interior de Portugal. O Alto Alentejo é um dos territórios mais vulneráveis a esta realidade: um distrito com população envelhecida e dispersa por uma vasta área geográfica, onde as distâncias ao hospital de referência já constituem, em condições normais, um obstáculo significativo para as populações. Quando a urgência fecha, essa distância agrava-se de forma particularmente preocupante para uma grávida em trabalho de parto ou com uma complicação súbita, tornando o encaminhamento prévio pelo SNS 24 não apenas uma recomendação, mas uma necessidade prática.

A carência crónica de médicos especialistas em obstetrícia — e noutras especialidades — nos hospitais do interior é um problema que a ULS do Alto Alentejo não resolve isoladamente, por mais esforços de modernização que tenha vindo a desenvolver. A questão dos recursos humanos médicos continua a ser o principal ponto de fragilidade de um hospital que serve toda uma região e que, perante cada encerramento desta natureza, recorda às populações do Alto Alentejo o quanto a equidade no acesso aos cuidados de saúde continua por garantir em Portugal.

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