A associação ambientalista Quercus manifestou preocupação com o projecto do Parque Eólico do Sudoeste, promovido pela Hyperion Renewables Sines, que prevê a instalação de 23 aerogeradores de 6,0 MW no concelho de Santiago do Cacém para abastecer em autoconsumo o Data Center de Sines — centro de processamento de dados que, na sua máxima capacidade operacional, poderá vir a consumir até 20% da electricidade utilizada em Portugal. O projecto, que inclui também um sistema de armazenamento de 200 MWh, encontra-se em consulta pública até 18 de agosto através do portal da Agência Portuguesa do Ambiente. A área total de intervenção ascende a 1.098 hectares — o equivalente a mais de 1.000 campos de futebol —, com impactos que o próprio documento em consulta reconhece incluírem a destruição de habitats protegidos, a afectação de sobreiros e azinheiras, a perda de fauna com destaque para aves e morcegos, interferência em linhas de água e poluição sonora com impacto directo nas comunidades locais.
A Quercus vai mais longe na crítica: não é apenas que os impactos são graves — é que o estudo ambiental os minimiza sistematicamente. A associação denuncia a subavaliação dos impactos ao longo de todo o ciclo de vida do projecto e identificou erros no documento que indicam falhas no rigor da sua preparação, considerando insuficiente a avaliação ambiental realizada para um empreendimento desta envergadura. A associação levanta ainda a questão do desmantelamento: considera fundamental que esteja prevista a reposição dos valores naturais afectados no fim da vida útil dos aerogeradores, garantindo que o passivo ambiental não seja imputado ao país nem aos municípios, mas a quem beneficiou com a infraestrutura.
A par das preocupações ambientais, a Quercus aponta para uma dimensão de equidade territorial que considera igualmente problemática. A associação considera incompreensível que um projecto desta dimensão não preveja contrapartidas concretas para os munícipes dos concelhos de Santiago do Cacém e Sines — nomeadamente a redução significativa da factura energética —, sublinhando que o parque eólico muito provavelmente só servirá para alimentar o Data Center e dificilmente trará benefícios aos consumidores locais. Quem quiser participar na consulta pública, que decorre até 18 de agosto, pode fazê-lo através do portal da Agência Portuguesa do Ambiente.
