26 Janeiro 2016      15:18

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OS FENÓMENOS E A QUEBRA DE TRADIÇÃO

O primeiro fenómeno foi sem dúvida a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, apesar fuga a tomadas de posição sobre vários assuntos com intuito de vestir a pele de agregador, aproveitou da melhor forma os anos de comentário político e simpatia dos portugueses que essa condição lhe proporcionou, saindo vencedor à primeira volta com uma campanha fora do normal, sem cartazes, sem apoios financeiros e a desviar-se dos partidos de direita, concordando ou não com o estilo, todos temos de admitir que foi uma grande vitória.

O segundo fenómeno trata-se do percurso de Sampaio da Nóvoa, com currículo, desenvolvimento pessoal e profissional construído fora do círculo da política partidária, criou o sonho de uma segunda volta, que mesmo não sendo possível, é a afirmação da cidadania no panorama eleitoral, foi importante sobretudo para quebrar o preconceito de que só se pode ser Presidente da República depois de um passado de carreira política, foi um candidato livre e com pensamento de esquerda.

O terceiro fenómeno espelha-se no resultado de Marisa Matias, por representar a afirmação de uma mulher candidata à Presidência, por ser incisiva no ataque frontal aos problemas reais das pessoas e por ultrapassar a militante do PS Maria de Belém, é a prova de que ideologia do Bloco se está a tornar cada vez mais uma força a considerar na sociedade portuguesa e está ganhar espaço político à esquerda.

O quarto fenómeno tem um nome: Vitorino Silva, candidato sui generis assumindo-se como representante do povo, mesmo sem grande cultura ideológica e visão estratégica sobre o cargo de Presidente da República, marcou pela simplicidade e votos conquistados nas urnas.

A quebra de tradição consubstancia-se na grande derrota de Maria de Belém e de Edgar Silva, começando pela primeira, com a falta de sensibilidade no timming do anúncio de candidatura, aliado à falta de pujança no combate político e à história do apoio às subvenções vitalícias aos membros do parlamento, foi a queda total de uma candidata que nunca se apresentou forte; já o segundo, mostrou que o ideologia comunista nos moldes em que se pratica em Portugal está a perder terreno, a continuar assim corre o risco de ficar confinada aos militantes mais crentes.

Neste contexto, e com os resultados finais que apresentaram, as eleições presidências representam mais um sinal das mudanças profundas que estão a acontecer no nosso tempo. 

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