O Agrupamento de Uniões de OPSA — Organizações de Produtores para a Sanidade Animal, constituído por oito organismos de defesa sanitária a nível nacional, enviou uma carta ao Ministro da Agricultura e Mar exigindo que os apoios previstos pela Portaria n.º 227/2026/1, de 20 de maio, relativos aos prejuízos causados pelos surtos de Doença da Língua Azul em 2025, sejam alargados aos produtores que ficaram excluídos por razões completamente alheias à sua vontade. A ACOS integra este agrupamento enquanto membro da União dos Agrupamentos de Defesa Sanitária do Alentejo e é um dos subscritores da missiva, que reconhece o diploma como um passo positivo mas considera os apoios insuficientes face à dimensão real dos prejuízos sofridos por inúmeras explorações.
No centro da reclamação estão três grupos de produtores que não puderam vacinar os seus animais atempadamente: aqueles que só tiveram acesso à vacina após a ocorrência do foco, devido a atrasos administrativos na constituição do agrupamento e no estabelecimento do protocolo com a DGAV; os que foram impedidos de vacinar por ruturas de stock, em particular da vacina contra o serotipo 8, cujo fornecimento foi sistematicamente inferior às necessidades; e ainda os produtores afectados por focos em anos distintos, que registaram mortalidade e morbilidade significativas em dois surtos consecutivos apesar de terem procedido à vacinação disponível. Para as OPSA, excluir estes agricultores das ajudas por incumprimentos que resultam de falhas do sistema e não da sua conduta é uma injustiça que contraria os princípios de elementar equidade.
A Doença da Língua Azul, infecção viral transmitida por insectos e sem risco de contágio para o ser humano, atingiu Portugal de forma particularmente severa em 2025, com o Alentejo entre as regiões mais afectadas. A pecuária extensiva alentejana — ovinos, bovinos e caprinos em regime de montado — é especialmente vulnerável a doenças vectoriais cujo ciclo de propagação se intensifica com o calor característico da região. Para muitas explorações familiares, os surtos do ano passado representaram a perda de anos de trabalho e investimento, tornando o acesso a apoios compensatórios não apenas uma questão económica, mas uma condição de sobrevivência para um sector que é pilar identitário e produtivo de todo o interior alentejano.
