Um incidente alarmante marcou o encerramento da cerimónia de juramento de bandeira no Centro de Formação de Portalegre (CFP) da Guarda Nacional Republicana. No dia 26 de junho de 2026, um militar da corporação efetuou vários disparos para o ar com uma pistola Glock de calibre 9 mm. As detonações ocorreram enquanto o ministro da Administração Interna, Luís Neves, e o comandante-geral da instituição, Rui Veloso, ainda se encontravam no complexo. Momentos antes do sucedido, o homem enviou mensagens a um jornalista a afirmar que teria de ser ouvido, ligando-lhe logo de seguida, num telefonema onde já foi possível registar o som dos tiros. O ato terá sido motivado por problemas de saúde do próprio e por um quadro clínico grave de um filho menor.
Contudo, novos dados documentais revelam que o foco do caso ultrapassa a conduta do guarda. Em novembro de 2025, após a recomendação de um psiquiatra, o comandante do CFP, Coronel Pedro Filipe Saragoça Ribeiro, encaminhou o funcionário para a Junta de Saúde Superior (JSS) da GNR. Em março de 2026, este órgão emitiu um parecer favorável à retirada do armamento por motivos psicológicos e psiquiátricos, decisão que foi homologada pelo Comando de Administração de Recursos Internos (CARI) e publicada em Ordem de Serviço na Escola da Guarda. O próprio Segundo Comandante do CFP, Tenente-Coronel Hélio José da Silva Miranda, notificou formalmente o militar da sua proibição de uso e porte de arma.
Apesar deste impedimento oficial e do conhecimento direto da tutela daquela escola, o militar acabou por ser escalado para um turno de segurança armada apenas três meses depois e recebeu a pistola de serviço. Relatos apontam ainda que existiu um encontro presencial e direto entre o Coronel Pedro Ribeiro e o visado já depois de este estar municiado, sem que o oficial superior tivesse travado a situação. Perante os factos, surgem exigências de um inquérito independente por parte do Ministério da Administração Interna, do Comando-Geral e da Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI). Defende-se que as averiguações não se limitem ao momento dos disparos, mas que responsabilizem a cadeia hierárquica do CFP pela falha administrativa e pela violação das ordens médicas superiores que ditaram a entrega indevida do armamento.
