Uma reestruturação operacional no Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) poderá deixar sete municípios do Alentejo com menos recursos de socorro, segundo um alerta emitido pela Comissão de Trabalhadores da instituição. A contestação surge após o presidente do INEM confirmar, em entrevista à RTP, um plano que prevê a retirada de 100 ambulâncias da frota própria do instituto. Esta medida baseia-se na passagem das ambulâncias de emergência médica para a gestão das Unidades Locais de Saúde (ULS) e na reconversão dos atuais veículos de Suporte Imediato de Vida (SIV) em viaturas ligeiras, o que lhes retira a função de transportar doentes.
Na região alentejana, os concelhos de Elvas, Estremoz, Moura, Odemira, Ponte de Sor, Alcácer do Sal e Castro Verde enfrentam a perda direta de uma ambulância SIV cada um, meios que atualmente prestam assistência a partir dos respetivos centros de saúde. No total do país, a reforma implica que 54 ambulâncias passem para o controlo das ULS e 46 fiquem impedidas de fazer o transporte de pacientes. Para os representantes dos trabalhadores, esta estratégia não representa uma melhoria do sistema, mas sim um desmantelamento que vai sobrecarregar severamente as corporações de bombeiros e a Cruz Vermelha Portuguesa, resultando num aumento dos tempos de espera e em maiores perigos para a população.
Face à gravidade da situação, a Comissão de Trabalhadores exige que a ministra da Saúde clarifique se apoia politicamente esta decisão ou se irá aproveitar a nova lei orgânica para substituir a direção do INEM. O organismo avisa ainda que os profissionais do setor não vão assistir passivamente a estas alterações, que afetam os seus direitos laborais. O comunicado termina com um apelo urgente aos autarcas das 71 autarquias afetadas a nível nacional, incluindo os sete municípios alentejanos, para que intervenham em defesa das suas comunidades contra a redução do socorro médico.
