As transferências de capital para projetos culturais destinadas à obtenção de vistos gold registaram um crescimento exponencial, atingindo os 46,8 milhões de euros no último ano. Este valor representa um aumento de quase 300% face ao ano anterior, consolidando o setor da cultura como uma via privilegiada para investidores estrangeiros, maioritariamente norte-americanos e chineses, que contribuem com montantes mínimos de 250 mil euros para a salvaguarda do património nacional.
O Alentejo assume um papel de grande relevo nesta dinâmica, com a Fundação Alentejo a posicionar-se como uma das entidades que mais capital captou desde o início do programa, totalizando 5,6 milhões de euros. Um dos grandes destaques do último ano foi o projeto de salvaguarda, reabilitação e reutilização do Palacete Fundação Alentejo, em Estremoz, que garantiu sozinho um investimento de 4,2 milhões de euros, reforçando a preservação do património arquitetónico da região.
Além do impacto direto em Estremoz, esta tendência de investimento privado sublinha a importância da descentralização cultural, permitindo que regiões fora dos grandes centros urbanos beneficiem de fundos internacionais para a recuperação de ativos históricos. O Ministério da Cultura reforça que este mecanismo é vital para complementar o orçamento do Estado, criando condições para que o setor privado valorize as múltiplas vertentes culturais, com o Alentejo a afirmar-se como um destino estratégico para este tipo de mecenato.
