Tribuna Alentejo
hy56644
Ambiente

Estradas principais do Alentejo estão a afetar Corujas-do-mato

A dissertação da estudante Shirley van der Horst, no âmbito do Mestrado em Biologia de Conservação da Universidade de Évora (UÉ), sob a orientação de Rui Lourenço, investigador do ICAAM, foi a base de um estudo publicado no European Journal of Wildlife Research, no qual se avaliaram os efeitos da proximidade de estradas (principais e secundárias) na abundância de corujas-do-mato no Alentejo Central entre 2005-2016.

Segundo nota da Universidade de Évora a dissertação de mestrado da estudante Shirley van der Horst, propunha-se a determinar se na proximidade de estradas (principais e secundárias) as corujas-do-mato ocorrem em menor abundância e apresentam uma tendência populacional mais negativa comparativamente com os locais mais distantes, porventura próximos de estradas rurais. Trata-se de uma questão relevante para a gestão do território com vista à conservação da biodiversidade na medida em que os diferentes efeitos causados por estradas principais e secundárias têm expressão temporal e espacial, e esses aspetos raramente têm sido considerados por investigadores. As evidências reunidas neste estudo sugerem que diferentes tipos de estradas têm diferentes efeitos de perturbação nas populações de coruja-do-mato, podendo reduzir os seus efetivos ou tornando as suas abundâncias mais instáveis no tempo.

O estudo de Shirley van der Horst e coautores mostra que em zonas florestais distantes das estradas as corujas-do-mato são normalmente mais abundantes, exibem uma reduzida variação na ocupação dos locais e as suas populações são tendencialmente mais estáveis. As estradas principais, pelo contrário, prejudicam a qualidade do habitat das corujas limitando a sua abundância e ocupação do local e levando a uma tendência negativa das populações devido a mortalidade adicional por atropelamento e/ou outras perturbações. As estradas secundárias não prejudicam severamente a qualidade do habitat permitindo uma ocupação inicial e, por vezes, a ocorrência de densidades relativamente altas. Todavia, podem atuar como armadilhas ecológicas revelando instabilidade na ocupação ao longo da época de reprodução e uma tendência negativa da população.

Este estudo traz um novo olhar sobre os efeitos de diferentes tipologias de estradas em populações de aves ao longo de vários anos, utilizando a dinâmica populacional de corujas-do-mato como um estudo de caso.

 

Imagem de capa de http://rias-aldeia.blogspot.com/ – RIAS – Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens, Olhão, com Thijs Valkenburg

 

 

Artigos relacionados

Projeto de Ervidel alia proteção das aves à memória alentejana

ta_admin

Torres eólicas de grande porte em Ourique e Odemira vão destruir a paisagem e o ecossistema, alerta Quercus

Redação Alentejo

Alto Alentejo lança rede de bicicletas elétricas partilhadas em nove municípios

Redação Alentejo

AMCAL lança rede de recolha de óleos alimentares usados de última geração

Redação Alentejo

Quercus pede à Agência Portuguesa do Ambiente que não ceda às ameaças dos promotores imobiliários nas praias de Grândola

Redação Alentejo

Fogo em Beja mantém-se activo junto a Guarita Nova

Redação Alentejo