Tribuna Alentejo
beja
Ambiente

Beja regista subida de 10.5°C em apenas 5 minutos

Em Beja, na madrugada de 21 de maio deste ano, registou-se um “fenómeno raro”, de acordo com o Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA): a temperatura subiu 10.5°C em cinco minutos.

Segundo o instituto, citado pela Renascença, entre as 04:40 e as 04:45 a temperatura subiu de 22.9°C para 33.4°C, e a “humidade relativa desceu de 49% para 13%”. Esta “significativa e rápida subida de temperatura (+10.5°C) e descida de humidade relativa (-35%)” em pouco tempo resume-se a um evento meteorológico designado como heatburst, como explica o IPMA.

“A noite e madrugada de 21 de maio foram excecionalmente quentes”, refere o instituto, “quer no contexto do mês de maio, quer no de registos anuais”. Principalmente no interior de Portugal, as temperaturas variaram entre os 26°C e os 32°C, marcando, em alguns locais, “a madrugada mais quente desde que há registos”.

O fenómeno pode ser explicado pela presença de uma “massa de ar quente e seco proveniente do norte de África e com poeiras em suspensão”, condicionada “pela presença de um núcleo depressionário à superfície com expressão em altitude”, centrado a oeste do território nacional.

A estação meteorológica do distrito de Beja mostrou também, durante o mesmo espaço de tempo, rajadas de vento de até 53 km/h, que provocaram a queda de dezenas de árvores de grande porte. O IPMA, ainda assim, reforça que “nestas condições seria muito pouco provável a formação de um fenómeno do tipo tornado” e o vento forte pode ser explicado pelo heatburst.

Após a subida das temperaturas até aos 33,4°C, os termómetros desceram quase à mesma velocidade a que sofreram um aumento abrupto, para os 25.5°C, marcados às 04:50. A humidade, após descer 35%, de 49 para 13%, regressou para perto do valor registado mais cedo, com 37% no final da madrugada.

“O momento linear da corrente descendente poderá ser inferior ao de um downburst clássico, mas, ainda assim, manter algum potencial para a produção de rajadas convectivas na região mais baroclínica do outflow, como foi o presente caso”, conclui o IPMA.

O “fenómeno raro” manifestou-se mais fortemente na região de Beja, mas o instituto revela que também foi sentido em mais estações, mas com mudanças menos extremas.

 

Fotografia de xrei.com

Artigos relacionados

Projeto de Ervidel alia proteção das aves à memória alentejana

ta_admin

Torres eólicas de grande porte em Ourique e Odemira vão destruir a paisagem e o ecossistema, alerta Quercus

Redação Alentejo

Alto Alentejo lança rede de bicicletas elétricas partilhadas em nove municípios

Redação Alentejo

AMCAL lança rede de recolha de óleos alimentares usados de última geração

Redação Alentejo

Quercus pede à Agência Portuguesa do Ambiente que não ceda às ameaças dos promotores imobiliários nas praias de Grândola

Redação Alentejo

Fogo em Beja mantém-se activo junto a Guarita Nova

Redação Alentejo