O Alentejo é uma das regiões do país com maior proporção de famílias a recorrer a explicações, segundo o estudo "O Mercado das Explicações na Península Ibérica", do Observatório Social da Fundação "la Caixa". A região apresenta, contudo, a despesa média mais baixa do país, fixada em 105 euros mensais por aluno, em contraste com os 144 euros registados no Algarve, a região com maior despesa.
A nível nacional, cerca de 20% dos estudantes entre os seis e os dezoito anos frequentam explicações fora do sistema formal de ensino, num mercado que movimenta mais de 300 milhões de euros por ano. A despesa média mensal por aluno é de 126,4 euros, com a matemática a liderar tanto em procura como em despesa, seguida do português e do inglês.
O estudo revela que o acesso a explicações é condicionado pelo rendimento familiar. As famílias em situação económica mais confortável gastam, em média, mais 30% em explicações do que as famílias com dificuldades financeiras, e a taxa de frequência sobe de 17,9% nos agregados mais fragilizados para 25,9% nos de maior poder de compra. Os autores alertam que esta desigualdade no acesso tende a amplificar as disparidades educativas já existentes.
A incidência das explicações é mais elevada no ensino secundário, onde um em cada três alunos recorre a este apoio, associado ao peso dos exames nacionais no acesso ao ensino superior. A principal razão apontada pelas famílias é a existência de dificuldades na disciplina (40,8%), seguida da preparação para exames (31,3%).
Os autores do estudo sublinham a necessidade de políticas públicas que promovam maior equidade no acesso ao apoio educativo, numa altura em que mesmo as famílias de menores rendimentos fazem esforços significativos para garantir explicações aos filhos.
