Tribuna Alentejo
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Alentejo Central

UM CAFÉ CENTRAL QUE REGUENGOS NÃO DEIXOU DESAPARECER

O país conheceu muitos cafés centrais. Eles foram o centro da vida social de muitas comunidades, uns mais simples outros mais sofisticados, mas que representavam sempre, para além da igreja ou das festas populares, o ponto de encontro mais regular, primeiro dos homens e dos jovens a entrar na vida adulta e mais tarde também das mulheres, de muitas vilas e cidades.

O que é certo é que grande parte deles desapareceu, fruto provavelmente da mudança dos hábitos das sociedades, outros adiaram o quanto puderam o seu fim. Mas fazem parte de uma história local que muitos consideram que deve ser preservada.

Tomamos como exemplo a cidade de Reguengos de Monsaraz e o seu secular Café Central, que foi projetado pelo arquiteto António José Dias da Silva, autor também da Igreja Matriz de Reguengos de Monsaraz e da Praça de Toiros do Campo Pequeno. Inaugurado em 1877, o Café Central encerrou no ano passado e era um dos cafés centrais em funcionamento há mais tempo no país. A autarquia não perdeu tempo e pretende manter o espaço vivo adaptando-o aos novos tempos mas preservando-o como símbolo de uma parte relevante da história daquela comunidade. Para o efeito pretende criar Centro Interpretativo e de Acolhimento Turístico no edifício do antigo Café Central e candidatou aos fundos comunitários um projeto que prevê para este espaço uma zona de atendimento turístico, mas também uma área de exposição, degustação e venda de produtos locais e regionais aos munícipes e turistas.

A ideia é concentrar toda a oferta do concelho disponibilizada aos turistas, como o vinho, a gastronomia, os azeites, a olaria, os enchidos, os queijos, as mantas alentejanas, as ervas aromáticas, o pão, entre outros e que sirva também para acolhimento e encaminhamento aos turistas. Assim, "haverá também uma adequada interpretação e uma maior promoção da diversidade do património histórico-cultural, natural e paisagístico, do Grande Lago Alqueva e dos desportos náuticos, do artesanato, da gastronomia e das unidades de turismo, dando a conhecer ao visitante propostas interessantes para prolongar a sua estadia na região, com benefícios para a economia local", como defende a autarquia em comunicado.

José Calixto, Presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, considera que “um dos grandes objetivos deste projeto centra-se na promoção e preservação de um património de relevante valor situado no centro da cidade e que importa conservar para as próximas gerações”. O autarca afirma ainda que “a história deste edifício revela muito da riqueza sociológica do concelho, pois foi durante muitas décadas o local de encontro dos reguenguenses, tanto ricos como pobres”.

 

Na imagem interior, José Calixto, Presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz

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