Os suecos da Boliden, uma empresa mineira com sede em Estocolmo especializada na extração e fundição de cobre e zinco, estão em negociações avançadas para adquirir a Somincor, detentora da concessão da mina de Neves-Corvo, atualmente propriedade dos canadianos da Lundin Mining. Este possível acordo surge como parte da estratégia da Boliden para garantir segurança no fornecimento de longo prazo, particularmente para a exploração que possui na Noruega, em Odda, um ativo estratégico para o grupo, avaliado em 7,4 mil milhões de euros de capitalização bolsista.
A venda da Somincor está a ser conduzida diretamente pelas equipas da Lundin Mining em Toronto e Vancouver, com o apoio do Banque de Montréal (BMO). Além da operação em Portugal, o grupo canadiano está também a alienar a sua exploração sueca em Zinkgruvan, como parte de uma reorientação estratégica que visa reforçar a sua presença no mercado sul-americano. Entre os interessados, além da Boliden, destaca-se a South32, uma das três empresas australianas na lista restrita de potenciais compradores, com sede em Perth e um valor de mercado estimado em cerca de 8 mil milhões de euros. O valor do negócio global poderá ultrapassar os mil milhões de euros.
A Somincor, que explora a maior mina portuguesa, conta atualmente com cinco jazigos em produção: Neves, Corvo, Graça, Zambujal e Lombador. Em 2023, a empresa registou uma quebra nas receitas, com uma faturação de 393 milhões de euros, um EBITDA de 83 milhões e lucros reduzidos a 1,5 milhões de euros, face aos 13 milhões do ano anterior. A mina processa o minério através de duas lavarias: a do Cobre, com capacidade para tratar 2,6 milhões de toneladas anuais, e a do Zinco, que pode processar até 2,5 milhões de toneladas por ano, abrangendo também minério de chumbo.
O Governo português, reconhecendo a importância social e económica da Somincor para os trabalhadores e para a região, declarou estar a acompanhar o processo, garantindo que serão respeitadas todas as normas legais e laborais. Contudo, sublinhou, em resposta a questões do PCP, que a Somincor é uma empresa privada, sujeita a gestão e decisões igualmente privadas.
Fonte: eco.sapo.pt
Fotografia de somincor.com.pt
