Tribuna Alentejo
Luís Loures, presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP)
Educação

Presidente do IPPortalegre, Luís Loures, é o novo presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos

Luís Loures tomou posse como presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), definindo como prioridades para os próximos dois anos a revisão do modelo de acesso ao Ensino Superior e a alteração do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior. O responsável sublinhou que o Ensino Superior constitui um dos instrumentos mais eficazes para promover a coesão territorial, sobretudo nas regiões de menor densidade populacional.

A cerimónia decorreu no Campus do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, onde Luís Loures destacou o persistente subfinanciamento do subsistema politécnico e a falta de equidade face ao ensino universitário. Apesar do contributo significativo dos politécnicos para o desenvolvimento regional, especialmente no interior do país, o presidente do CCISP considerou que o atual modelo de financiamento continua a penalizar estas instituições, desvalorizando o seu papel na promoção de um território mais equilibrado. Nesse contexto, salientou que o financiamento por aluno é superior no subsistema universitário, sem que exista uma justificação objetiva para essa diferença.

Relativamente ao acesso ao Ensino Superior, Luís Loures abordou o impacto do novo modelo em vigor, que resultou numa redução significativa do número de estudantes colocados, com maior incidência nas regiões de baixa densidade. O presidente do CCISP revelou que já foi apresentada ao Governo uma proposta de revisão das normas, prevendo maior flexibilidade na definição das provas de ingresso. A proposta aponta para a possibilidade de cada instituição voltar a definir entre uma e três provas, ajustando o acesso à sua realidade específica.

O ministro da Educação, Fernando Alexandre, presente na sessão, confirmou que o Governo pretende introduzir alterações ao modelo de acesso, tornando obrigatória apenas uma prova por instituição, podendo estas definir provas adicionais quando considerado necessário. Em alguns cursos, no entanto, continuará a ser exigida mais do que uma prova de ingresso. Segundo o governante, esta alteração visa corrigir desequilíbrios e mitigar os efeitos negativos registados no atual regime.

Luís Loures voltou a criticar a concentração excessiva de estudantes nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, referindo que os sucessivos despachos de vagas não têm travado esta tendência, agravando as assimetrias territoriais. O presidente do CCISP defendeu que o Conselho se oporá a qualquer medida que aprofunde estas desigualdades, recordando que, em vários países europeus, as maiores cidades concentram menos de 20% dos estudantes do Ensino Superior, enquanto em Portugal esse valor ultrapassa os 50%.

No encerramento, o ministro da Educação destacou que o Governo está a trabalhar num conjunto de reformas destinadas a reforçar a autonomia das instituições de Ensino Superior, mantendo o sistema binário entre universidades e politécnicos. O objetivo passa por permitir que cada instituição desenvolva estratégias alinhadas com as necessidades e características das regiões onde se insere, reforçando o papel do Ensino Superior no desenvolvimento económico, social e territorial do país.

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