Durante o colóquio “Olival e Amendoal – Presente e Futuro”, organizado pela Magos Irrigation Systems no passado dia 30 de abril, na Ovibeja, os especialistas reunidos anteviram que os preços da amêndoa e do azeite tenderão a estabilizar.
Em comunicado, a Magos Irrigation Systems adianta que na primeira mesa-redonda, sobre o futuro das culturas do olival e do amendoal, “o tom foi de otimismo”, prevendo-se ainda para o olival “um aumento da área plantada e a crescente aposta em olivais em sebe”.
Quanto ao amendoal, as tendências para os próximos anos são a “reconversão dos pomares com variedades mais adaptadas aos solos e ao clima de cada região e a melhoria do itinerário técnico da cultura”.
Segundo Bruno Cantinho, sócio-gerente da Olivogestão, “quem quiser fazer olivicultura tem de vir ao Alentejo, é a região mais evoluída do mundo. 95% do azeite que aqui produzimos é virgem extra e essa qualidade deve-se à tecnologia”.
O empresário recordou que o azeite representa apenas 2,7% do consumo mundial de gorduras vegetais, mas não deixou de notar: “acredito muito que o consumo mundial de azeite vai subir, pela sua qualidade organolética e benefícios para a saúde. É uma oportunidade para se plantar mais olival no Alentejo. Espanha vai aumentar e muito a área de olival moderno, reconvertendo os olivais tradicionais de sequeiro em olivais de regadio”.
Já Pepe Ocaña, administrador da Rabadoa, adiantou que “cerca de 80% do olival a nível mundial é de sequeiro, mas cada vez vai haver mais olival de regadio e dessa forma teremos mais estabilidade inter anual na produção de azeitona e de azeite, porque estaremos menos dependentes do clima, prevê-se por isso uma maior estabilidade no preço do azeite”.
De acordo com a Magos Irrigation Systems, no perímetro de rega de Alqueva a área de olival aumentou de 71.045 hectares, em 2023, para 74.059 hectares, em 2024. Já área de amendoal sofreu uma ligeira diminuição, passando de 23.859 hectares, em 2023, para 23.653 hectares em 2024.
O evento recebeu ainda uma segunda mesa-redonda sobre “Emissores de rega para olival e amendoal”, onde as empresas fabricantes apresentaram tecnologias que contribuem para a distribuição eficiente da água.
Por fim, a terceira mesa-redonda do colóquio foi dedicada às perspetivas dos representantes das entidades gestoras do regadio público sobre a “Estratégia Água que Une”, que prevê um investimento de 5 mil milhões de euros até 2030 para gerir a água na agricultura e no abastecimento urbano em Portugal de forma mais eficiente, resiliente e inteligente.
José Núncio, presidente da FENAREG – Federação Nacional de Regantes de Portugal, afirmou que a Estratégia é uma boa notícia e tem virtudes, mas deveria ser mais ambiciosa.
Já José Pedro Salema, presidente da EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva, recordou que “a ‘Estratégia Água que Une’ não é um pacote fechado; depende das decisões políticas”.
Foi ainda notado que a maioria das obras públicas de rega têm várias décadas de existência e necessitam de obras para reduzir as enormes perdas de água, sendo o mais urgente a modernização das infraestruturas nos perímetros hidroagrícolas.
