Odemira continua a ser o concelho com mais desempregados inscritos nos Serviços de Emprego do Alentejo, registando um total de 1 829 indivíduos sem trabalho no final do passado mês de abril. Segundo os últimos dados divulgados pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), o desemprego neste município costeiro atinge maioritariamente cidadãos com idades compreendidas entre os 35 e os 54 anos, apresentando uma forte componente de baixa escolaridade, uma vez que 1 145 dos inscritos têm menos do que o 1º ciclo do Ensino Básico. Ainda no distrito de Beja, o concelho da capital distrital surge na segunda posição regional com 1 272 desempregados, seguido de perto por Moura, que contabiliza 1 012 pessoas sem ocupação profissional.
Esta realidade estende-se com forte impacto aos restantes distritos alentejanos, onde as capitais e os maiores eixos urbanos concentram o maior volume de inscritos. No distrito de Évora, o concelho sede assume o protagonismo estatístico da sub-região e posiciona-se como o segundo maior polo de desemprego de todo o Alentejo, superando a barreira dos 1 400 indivíduos registados nos serviços de emprego devido à sua maior dimensão populacional. Já a norte, no distrito de Portalegre, o cenário divide-se entre o concelho de Elvas, que lidera os indicadores locais com mais de 900 desempregados, e a cidade de Portalegre, que regista mais de 560 utentes à procura de inserção no mercado de trabalho. No cômputo geral, e apesar destes núcleos pesados, o Alentejo totaliza cerca de 14 980 desempregados, sinalizando uma descida em cadeia impulsionada pela contratação sazonal na região.
O desemprego jovem no Alentejo representa cerca de 11% do total de inscritos na região, afetando sobretudo jovens com baixas qualificações escolares e recém-graduados de áreas específicas. No plano das profissões mais afetadas, o mercado alentejano reflete o seu tecido económico, penalizando fortemente os trabalhadores não qualificados (serviços domésticos e agricultura), seguidos pelos setores do comércio, restauração e serviços administrativos. Quando comparado com o cenário nacional, o Alentejo acompanha a tendência geral de consolidação pós-inverno, mas apresenta uma maior volatilidade sazonal. Enquanto a taxa de desemprego em Portugal se fixou nos 5,7%, a dinâmica alentejana destaca-se pelas suas quebras acentuadas na primavera devido ao arranque das campanhas agrícolas e do turismo de litoral, as quais absorvem rapidamente mão de obra volátil.
O impacto do desemprego entre os mais jovens (com menos de 25 anos) revela uma dupla realidade regional. Cerca de 36% dos jovens desempregados inscritos na região possuem, no máximo, o 3º ciclo do Ensino Básico, encontrando sérias barreiras de inserção num mercado de trabalho cada vez mais competitivo. Por outro lado, os jovens alentejanos com formação superior que enfrentam maior desemprego concentram-se maioritariamente nos ramos das Ciências Sociais, Comércio e Direito, bem como em Artes e Humanidades, devido à menor densidade de indústrias e empresas de serviços avançados na região.
Analisando a distribuição por setores de atividade, os dados do IEFP indicam que o desemprego alentejano continua muito ancorado nas profissões de menor especialização. O grande grupo dos trabalhadores não qualificados da agricultura, produção animal e pescas (particularmente visível em concelhos como Odemira) divide os números mais expressivos com o pessoal dos serviços administrativos, vendedores e empregados de mesa. Esta forte dependência do setor terciário tradicional e do setor primário dita que, ao contrário de regiões mais industrializadas do Norte do país, o Alentejo sofra oscilações mensais muito bruscas em função das épocas do ano.
