Tribuna Alentejo
53055742_429938464412777_5028169675725340672_n
Colunistas

Má gestão ou má-fé?

Tem hoje início mais uma greve dos motoristas de mercadorias pesadas.

Uma greve que tem estado na ordem do dia mais pelos protagonistas dos dois sindicatos que continuam a recusar negociar do que propriamente pelas reivindicações reais dos motoristas.

Temos na origem destas greves um Sindicato criado por um advogado um mês antes de convocar a greve de Abril.

Um advogado que continua a mandar no Sindicato mas que, por razões deontológicas não pode ser seu Presidente.

Juntamente com este sindicato temos o Sindicato Independente dos Motorista que, nas palavras do seu próprio porta-voz acabou por se descair e dar a entender que a greve não seria desconvocada mas não iria durar mais que dois ou três dias.

Pelo meio temos os motoristas, muitos deles discordantes com a greve em virtude das enormes conquistas já conseguidas no contrato coletivo de trabalho de 2018 e que já vieram dizer que a reivindicação dos 900 euros mensais (aos quais acrescem subsídios e ajudas de custo no valor de quase mil euros) não é exequível nem corresponde ao acordado.

Resumindo, temos dois sindicatos com sede de protagonismo político e pessoal a descredibilizar toda uma classe profissional.

Felizmente a opinião pública portuguesa está atenta a este jogo político e não desvaloriza os motoristas.

Sendo responsáveis por Sindicatos, estes protagonistas deveriam de saber que uma negociação não se começa com uma greve, nem se faz com reivindicações como: “ou aceitam os 900 euros, ou continuamos em greve”.

Uma negociação faz-se com a apresetação de propostas por ambas as partes por forma a que a sua exequibilidade possa ser analisada e, caso não seja, se tentem encontrar soluções alternativas.

Outras reivindicações não se conhecem e certamente algumas até poderiam ser válidas e concretizáveis na verdadeira defesa dos interesses dos motoristas de mercadorias.

O direito à greve é um direito de todos mas, tal como todos os direitos, o seu recurso de forma abusiva e de má-fé deverá ser punido ou, neste caso, prevenido com todos os meios possíveis.

Pessoas que criam sindicatos para convocar greves demonstram não só má-fé como desrespeito pelos trabalhadores que dizem representar.

“Nem um passo atrás” gritam estes sindicatos?

Com estas atitudes não terão já dado vários passos atrás naquele que deveria ser o seu objetivo principal – a defesa dos reais interesses da classe que representam?

Imagem de capa de International Lawyers Associated – Advogados RL

Artigos relacionados

Não comam gelados com a testa!

Martinho Murteira

O BCE sobe os juros. E agora?

Martinho Murteira

As democracias

Duarte Carrasquinho

CR7 e mais 10!

Tiago Salgueiro

Nas exéquias dum ido Ministério dos Negócios Estrangeiros

Frederico Carvalho

O 26 de abril

Duarte Carrasquinho