Tribuna Alentejo
Ambiente

Linha do Alentejo obriga ao abate de 2.477 sobreiros

A modernização e duplicação do troço Poceirão–Bombel da Linha do Alentejo vai implicar o abate de 2.477 sobreiros, na sequência de um despacho do Governo que classificou a intervenção como de imprescindível utilidade pública. A obra abrange os concelhos de Palmela, Montijo e Vendas Novas e integra o projeto de modernização do corredor ferroviário Lisboa–Évora–Madrid.

Segundo o despacho publicado em Diário da República, serão abatidos 971 sobreiros adultos e 1.506 sobreiros jovens, existentes numa área de 26,51 hectares de montado. A autorização foi concedida ao abrigo do regime legal de proteção do sobreiro, tendo o Governo considerado o interesse público, económico e social associado à empreitada.

A Infraestruturas de Portugal (IP) justifica a intervenção com a necessidade de duplicar e modernizar a linha ferroviária, aumentando a capacidade da infraestrutura e reduzindo os tempos de viagem. O projeto permitirá também reforçar o transporte de passageiros e mercadorias no corredor internacional entre Portugal e Espanha, criando condições para a circulação de comboios de mercadorias com até 750 metros de comprimento e 1.400 toneladas.

Como compensação ambiental, a IP propôs a arborização de 27,03 hectares com sobreiros e o adensamento de mais 14,66 hectares em terrenos sob jurisdição do Exército Português, localizados nos concelhos de Vila Nova da Barquinha e Tomar. A autorização para o abate está condicionada à execução deste plano de compensação, ao cumprimento das medidas previstas na Declaração de Impacte Ambiental e à constituição de uma garantia financeira a favor do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

A decisão tem motivado críticas de organizações ambientalistas e de entidades ligadas à defesa do montado, que contestam o facto de as medidas compensatórias serem realizadas fora da área diretamente afetada pela obra. O sobreiro é uma espécie protegida em Portugal e constitui um dos principais elementos do ecossistema do montado, assumindo especial importância ambiental, económica e paisagística no Alentejo.

A empreitada representa um investimento de cerca de 270 milhões de euros e inclui, além da duplicação da via, a remodelação de estações e apeadeiros, a eliminação de passagens de nível, a modernização dos sistemas de sinalização e eletrificação e a adaptação da linha para velocidades até 200 km/h em comboios convencionais e 220 km/h em comboios pendulares. O objetivo é reforçar a competitividade da ferrovia e melhorar as ligações entre o Alentejo, a Área Metropolitana de Lisboa e a fronteira com Espanha.

Artigos relacionados

Torres eólicas de grande porte em Ourique e Odemira vão destruir a paisagem e o ecossistema, alerta Quercus

Redação Alentejo

Alto Alentejo lança rede de bicicletas elétricas partilhadas em nove municípios

Redação Alentejo

AMCAL lança rede de recolha de óleos alimentares usados de última geração

Redação Alentejo

Quercus pede à Agência Portuguesa do Ambiente que não ceda às ameaças dos promotores imobiliários nas praias de Grândola

Redação Alentejo

Fogo em Beja mantém-se activo junto a Guarita Nova

Redação Alentejo

Alterações climáticas severas e novo aeroporto ameaçam acesso à água em Setúbal nos próximos anos

Redação Alentejo