Tribuna Alentejo
img_0602_0603_0604_pan_1
Alentejo Central

Jornada dupla na Aventura R4 Alentejo

Texto: Victor Lamberto[i]   |   Fotografias: Victor Lamberto

 

Abril abriu, com uma jornada dupla, a temporada de 2019 dos "Eat-inerários Slow @ Alentejo", que deverá levar muitos aventureiros a (re)descobrir mais um pouco de um Alentejo (e “Além-Tejo”) diferente , genuíno e menos conhecido…

Estremoz, 20 de Abril, 09:00 – em sábado pascal iniciava-se a primeira etapa aprilina dos "Eat-inerários Slow @ Alentejo" deste ano, com a nona edição do “Rota dos Mármores®”. Com estacionamento reservado no central Rossio Marquês de Pombal, a comitiva deambulou pelo imperdível, e sempre muito concorrido, mercado semanal desta cidade, entre produtos alimentares, antiguidades e quejandos… Após compra de produtos locais pelos convivas (e.g. pão, queijos, enchidos, fruta), a caravana subiu até à zona alta, para uma breve visita a algum do rico património aí presente, tendo seguidamente tomado a direcção de Borba (onde iria decorrer o almoço), por estradas secundárias (que tanto apreciamos), deslocação que comportou três paragens intermédias: o denominado “Tanque dos Mouros”, a medieval Igreja de N. Sra. dos Mártires e uma genuína taberna alentejana (para uns copitos de branco de talha acolitados por um petisco). E, anunciada a hora do almoço, a caravana atravessou Borba e dirigiu-se à vizinha Igreja de Santa Bárbara (onde decorria a habitual romaria pascal borbense) para um demorado repasto servido pelos bombeiros locais, em ambiente descontraído, centrado em sabores regionais e sazonais (fazendo jus à campanha “Menu de Mudanças – Coma Alimentos Locais” do Slow Food). Regressados à estrada, a caravana dirigiu-se a Alandroal, para uma detalhada visita guiada, por arqueóloga da autarquia, ao santuário rupestre pré-romano da Rocha da Mina, e uma paragem em pastelaria local de referência, para refrigério e compra de inusitados doces (e.g. Pêro Rodrigues, delícia de bolota, pastel de chícharo), a que se seguiu uma incursão a Terena, nomeadamente ao seu centro histórico e à singular igreja-fortaleza do Santuário de N. Sra. da Boa Nova… Com o sol a aproximar-se do horizonte, foi tempo de uma demorada visita às mais profundas pedreiras de mármore da região, que se prolongou até ao lusco-fusco. A jornada concluir-se-ia com um muito animado jantar, que se prolongou para lá da meia-noite, o que levou a que os convivas tivessem desistido de ir às “Aleluias” da Terrugem (como tem sido habitual em anteriores edições da “Rota dos Mármores®”), pois o cansaço imperava, apesar da boa-disposição, e ainda havia a viagem de regresso…

Concluído o passeio “Rota dos Mármores® 2019”, nona edição que passou por cinco castelos (Estremoz, Borba, Alandroal, Terena e Vila Viçosa) e deu a (re)conhecer mais um pouco do Alentejo genuíno (e.g. mercado semanal, património material e imaterial, indústria dos mármores), importa agradecer aos convivas presentes que tornaram possível e animaram a jornada e aos anfitriões que nos apoiaram e acolheram: Câmara Municipal de Estremoz (António Serrano), Bombeiros Voluntários de Borba e Câmara Municipal de Alandroal (Conceição Roque).

Alcáçovas, 27 de Abril, 09:30 – a segunda etapa aprilina dos "Eat-inerários Slow @ Alentejo", a “Jornada @ Terras de Viana do Alentejo – IX Passeio de Primavera em R4”, que congregou convivas provenientes de várias regiões do país (e.g. Algarve, Leiria), iniciava-se nas proximidades da estação ferroviária de Alcáçovas, no Monte do Sobral, onde uma visita guiada permitiu conhecer o espaço (e “estórias”) onde militares se reuniram, em Setembro de 1973, na preparação do Movimento dos Capitães de abril. Após esta celebração dos 45 anos da Revolução dos Cravos, a caravana dirigiu-se a Alcáçovas, onde percorreu (em carro e a pé) mais um pouco da, agora mítica, N2, visitou o seu centro histórico, nomeadamente a sua deslumbrante Igreja Matriz de Salvador (visita guiada e amplas vistas) e a envolvente ao Paço dos Henriques (e.g. “Jardim e Capela das Conchas”), seguindo-se uma demorada e muito esclarecedora visita à Fábrica de Chocalhos Pardalinho, que permitiu aos convivas conhecer todo o processo produtivo deste património imaterial da humanidade (desde 2015). Com a hora de almoço a aproximar-se, ainda houve tempo para compras no comércio tradicional (somos fãs) e visita a uma padaria para conhecer o processo de fabrico do tradicional pão alentejano (e sua degustação), cujo epílogo foi a aquisição de muitos exemplares do mesmo e de doçaria, pela comitiva… Seguiu-se Viana do Alentejo, onde teve lugar um repasto prolongado no tempo e no prazer, em espaço popular e com sabores locais e sazonais (fazendo jus à campanha “Menu de Mudanças – Coma Alimentos Locais” do Slow Food). Seguiu-se um “passeio digestivo”, com visita ao castelo e ao património intramuros (e.g. Igreja Matriz de N. Sra. da Anunciação e Igreja da Misericórdia), ao centro da vila, a algum comércio tradicional e a umas cervejas na sede do clube local, após o que a comitiva se posicionou para assistir à chegada da 19.ª Romaria a Cavalo e respectiva cerimónia religiosa de acolhimento (e algumas incursões a genuína taberna nas imediações). Terminada a passagem dos romeiros, a caravana rumou ao Santuário de N. Sra. d’ Aires, para receber um pouco do ambiente de festa da romaria, que começava a se instalar na sua envolvente. Terminava a jornada, já o sol se pusera, com uma breve paragem em Aguiar, para a narração de uma curiosa “estória” ligada a esta terra (envolvendo um padre, um relógio e algo mais)…

Terminada a “Jornada @ Terras de Viana do Alentejo – IX Passeio de Primavera em R4”, que deu a conhecer um pouco deste território (Alcáçovas, Viana do Alentejo e Aguiar; e.g. 25 de Abril, chocalhos, pão alentejano, património, romaria a cavalo), são devidos agradecimentos aos convivas presentes que tornaram possível e animaram a jornada – destaque para os “algarvios” – e aos anfitriões que nos apoiaram e acolheram: Conceição Vitorino, Monte do Sobral (Marco Fragoso Fernandes), Paróquia de São Salvador de Alcáçovas (Telmo Seco), Chocalhos Pardalinho (Guilherme Maia e Francisco Cardoso), Padaria e Confeitaria Ilhéu (Margarida Ilhéu), Câmara Municipal de Viana do Alentejo (Germano Fernandes e Luís Banha), Café-Restaurante Os Arcos…

Iniciada, assim, a temporada de 2019 dos “Eat-inerários Slow @ Alentejo”, suspeita-se que muito mais haverá para descobrir e desfrutar em modo slow travel, em R4, noutro clássico ou… à boleia: um Alentejo genuíno (terroir, enogastronomia, lentidão), amiúde afastado das rotas habituais (e.g. estradas secundárias, paisagens menos frequentadas e espaços menos conhecidos, recantos inesperados, sabores autênticos, experiências singulares), sempre em interacção com as comunidades locais e contribuindo para a promoção dos veículos clássicos, importantes para uma vida mais calma, menos superficial, mais plena…



[i] leader do Slow Food Alentejo   |   coordenador dos “Eat-inerários Slow @ Alentejo”

 

Artigos relacionados

Especialistas de cadastro predial e topógrafos estiveram reunidos este fim-de-semana em Évora

Redação Alentejo

GNR detém casal em Vendas Novas por violência doméstica agravada ao próprio filho de 3 anos

Redação Alentejo

Santuário de Elefantes do Alentejo recebe elefante vindo da Bélgica e prevê mais um animal em 2027

Redação Alentejo

Alentejo Central aprova orçamento de 18 milhões para 2027, de volta ao edifício sede que esteve em obras de reabilitação

Redação Alentejo

Arrancam obras para a ligação de energia ao novo Hospital Central do Alentejo. Linhas subterrâneas atravessam Évora e têm mais de 14 km de extensão

Redação Alentejo

Estremoz investe 430 mil euros na primeira fase da Mata Municipal

Redação Alentejo