Tribuna Alentejo
051120151747-195-joaocutileiro
Alentejo Central

Morreu João Cutileiro

João Cutileiro faleceu esta madrugada, vítima da doença respiratória que padecia. Nascido em Lisboa, a 26 de junho de 1937, é um dos nomes mais sonantes da escultura portuguesa.

Filho de mãe alentejana, natural de Pavia, e segundo de três filhos, João Cutileiro desde cedo conviveu com artistas e pensadores modernos, sendo que António Pedro, em 1946, o levou para trabalhar no seu atelier.

Mais tarde, frequentou o estúdio de Jorge Barradas e depois de António Duarte onde foi, durante dois anos, assistente de canteiro voluntário, tendo sido aqui o seu primeiro contato com a pedra.

Em 1951, e ainda com 14 anos, Cutileiro apresentou a sua primeira exposição individual em Reguengos de Monsaraz, numa loja de máquinas de costura.

Também desde cedo, João Cutileiro se mostrou preocupado em intervir na sociedade e fez parte da organização juvenil do Movimento de Unidade Democrática (MUD), tendo, em 1960, integrado o Partido Comunista Português, embora por escassos meses por se ter desmanchado essa célula do partido.

Viveu um ano em Cabul com o seu pai – era médico da Organização Mundial da Saúde – e passou Florença, tendo ficado encantado com a obra de Miguel Ângelo e, quando regressou a Lisboa, inscreveu-se na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, sendo aluno de Leopoldo de Almeida, e onde só estudou um ano.

Por influência de Paula Rego, ruma a Londres e à Slade School of Art que frequentou de 1955 a 1959, desenvolveu a sua arte e engenho com o mestre escultor Reg Butler, recebendo, no final do curso três prémios: composição, figura e cabeça.

Dedicou-se ao mármore e de 1961 a 1971 fez cinco exposições em Lisboa e uma no Porto, sendo que desde 1970 que já residia novamente em Portugal, em Lagos, onde realizou uma obra que desafiava o academicismo Estado Novo.

Conseguiu uma menção honrosa no Prémio Soquil em 1971. Nos anos seguintes, expôs esculturas e mosaicos em Wuppertal e Dortmund, na Alemanha, em Évora, e em Washington D.C., na Sociedade Nacional de Belas Artes, e na Jones Gallery em Nova Iorque.

Em 1985 estabeleceu-se em Évora, onde viveu até hoje e manteve a sua casa-museu, onde está grande parte das suas obras.

Expôs em Macau, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Bruxelas, Luxemburgo e muitas outras cidades nacionais e internacionais.

Foi distinguido com o Doutoramento honoris causa pela Universidade de Évora e pela Universidade Nova de Lisboa.

Em 2014 decidiu doar ao Estado a sua casa e um espólio composto por mais de 700 obras, entre peças de escultura e fotografia, o que se efetivou somente em 2018, devido a motivos burocráticos, data em que foi agraciado com a medalha de mérito cultural.

Imagem de ccdr-a.gov.pt

Artigos relacionados

Executivo da Câmara de Évora faz balanço de um ano de mandato com a comunicação social local

Redação Alentejo

Especialistas de cadastro predial e topógrafos estiveram reunidos este fim-de-semana em Évora

Redação Alentejo

GNR detém casal em Vendas Novas por violência doméstica agravada ao próprio filho de 3 anos

Redação Alentejo

Santuário de Elefantes do Alentejo recebe elefante vindo da Bélgica e prevê mais um animal em 2027

Redação Alentejo

Alentejo Central aprova orçamento de 18 milhões para 2027, de volta ao edifício sede que esteve em obras de reabilitação

Redação Alentejo

Arrancam obras para a ligação de energia ao novo Hospital Central do Alentejo. Linhas subterrâneas atravessam Évora e têm mais de 14 km de extensão

Redação Alentejo