Tribuna Alentejo
pag_32_33_34-1068x712_1
Alto Alentejo

CLARO QUE SOU UM REGIONALISTA

Nuno Miguel Fernandes Mocinha nasceu em Elvas em outubro de 1971 (45 anos), casado, tem dois filhos e antes de ser Presidente da Câmara (PS), foi Vice-Presidente (oito anos), Vereador (quatro anos) e técnico superior (dois anos). Num momento em que Elvas começa a "gozar" do estatuto de Património da Humanidade e em que já apresentou a sua recandidatura, aproveitámos para conversar com Nuno Mocinha e ouvir o que defende o autarca para o futuro daquela região raiana.

Tribuna Alentejo: A um ano das eleições autárquicas e depois de 3 anos de mandato na Câmara do Elvas, o que considera que falta fazer para dar por cumprido o compromisso assumido com os eleitores?

Nuno Mocinha: O que falta concretizar corresponde a completar o trabalho que foi desenhado para quatro anos. Passou cerca de três quartos desse tempo e estamos em condições de, no quarto final, prosseguir os principais objetivos traçados. Para 2017, as prioridades enquadram-se na continuidade do trabalho que tem vindo a ser realizado desde há três anos: manutenção dos programas sociais e da política fiscal; obras mais prementes para as necessidades dos munícipes e que se incluam na competência e capacidade da Câmara Municipal; e obras de manutenção e conservação.

Tribuna Alentejo: Elvas parece ter-se afirmado e, com destaque nacional e internacional, sobretudo no plano cultural, com uma agenda preenchida de eventos na cidade. O que mudou com a classificação de património da humanidade? Como nascem estes projectos e o que faz deles âncora?

Nuno Mocinha: A classificação de Património Mundial, em 30 de junho de 2012, tem permitido um crescimento do número de turistas na cidade, a ponto de se poder dizer que esse número duplicou ou triplicou em relação a anos anteriores a essa distinção internacional. Ao longo do ano, a Câmara Municipal de Elvas organiza um conjunto de largas dezenas de eventos, entre estes salientamos um grande evento por mês, para que à atratividade patrimonial da cidade se juntem apelos sob o ponto de vista de animação cultural e de diversão.

Tribuna Alentejo: Objetivamente o que distingue um concelho como o Elvas de outros concelhos na região?

Nuno Mocinha: O concelho de Elvas distingue-se pelo seu valioso património – classificado desde 2012 pela UNESCO como Património Mundial –, mas ainda pela sua localização no eixo rodoviário Lisboa-Madrid, pela facilidade de acessos e pela integração na eurocidade Badajoz-Elvas-Campo Maior, onde é fundamental a construção de uma plataforma logística com ligação ferroviária aos portos atlânticos de Sines, Setúbal e Lisboa.

Tribuna Alentejo: A reversão da chamada Lei Relvas, que fundiu freguesias, é necessária ou é passado?

Nuno Mocinha: Acho que continua a ser necessária. Em concreto, no caso do concelho de Elvas, ter agregado as antigas freguesias de Terrugem e Vila Boim, bem como de Barbacena e Vila Fernando não foi uma boa medida para os interesses das populações.

 

Tribuna Alentejo: Que problema identifica como o maior problema do Alto Alentejo? E que soluções propõe para ele?

Nuno Mocinha: O maior problema do Alto Alentejo tem a ver com o envelhecimento e desertificação demográfica. Apenas medidas muito importantes e inadiáveis, que defendam a fixação de novas empresas e população jovem, que têm de ser tomadas pelo poder Central, podem contrariar estas tendências de há décadas.

Tribuna Alentejo: É um tema recorrente do poder autárquico. Considera-se um regionalista? O caminho de reforço de competências nas comunidades intermunicipais e a sua eleição indireta parece-lhe suficiente ou preferiria eleição universal do presidente da região?

Nuno Mocinha: Esta questão tem de ser apreciada, nos planos atual e desejado. Atualmente, dada a ausência de regionalização no território continental português, o que de melhor se pode aspirar é no reforço das competências das comunidades intermunicipais, sem esquecer que esse reforço terá de vir acompanhado por novas transferências de verbas adequadas a essas eventuais novas competências. No plano desejado e no casso concreto do Alentejo, sou da opinião que todos os municípios ficariam a ganhar se a regionalização fosse levada por diante. Esta resposta deixa claro que sou um regionalista.

Tribuna Alentejo: O PS nacional e local confia na sua recandidatura e já declarou publicamente que é candidato. Como resumiria a sua ambição para Elvas num próximo mandato?

Nuno Mocinha: A minha principal ambição prende-se com a possibilidade de continuar o trabalho que tenho estado a desenvolver neste mandato, considerando que a fixação da população jovem, sobretudo, e a criação de novos postos de trabalho são as principais prioridades municipais.

 

Nuno Mocinha é licenciado em Economia pela Universidade de Évora e foi docente no Instituto Politécnico de Portalegre e na Escola Secundária D. Sancho II de Elvas.

É Presidente da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA), assim como Membro convidado do Comité Diretor do Conselho dos Municípios e Regiões da Europa, em representação da Associação Nacional dos Municípios Portugueses.

Imagem de capa pontosdevista

Artigos relacionados

Águas do Alto Alentejo lançam alerta contra burla. Alegadas análises à água são fraudulentas e o caso já foi denunciado à GNR

Redação Alentejo

Presidentes de Câmara em tribunal para defender a Barragem do Pisão

Redação Alentejo

Portalegre tem um corte superior a 40% no investimento público. Orçamento do Estado é ainda mais duro com o Alto Alentejo do que com o resto do País

Redação Alentejo

Elvas prevê instalar 62 câmaras e integrar seis guardas noturnos

Redação Alentejo

Dois antigos Presidentes de Junta de Freguesia do Marvão acusados de fraude na obtenção de subsídio

Redação Alentejo

Gavião ficou de fora do plano do Governo para controlar população de javalis mas vai pagar “do seu bolso” 300 euros por montaria

Redação Alentejo