Sines enfrenta uma crescente crise de habitação impulsionada por um volume histórico de investimento privado. Com 30 projetos em curso, 25 mil milhões de euros de investimento previsto e a criação de mais de 4.500 postos de trabalho diretos até 2031, a procura de habitação supera largamente a oferta disponível, com o preço do metro quadrado a duplicar nos últimos três anos.
O presidente da Câmara Municipal de Sines, Álvaro Beijinha, alerta para um "efeito perverso" do crescimento económico: "Estamos com preços de Lisboa e Porto. Dificilmente se encontram rendas a menos de dois mil euros para um T2." O autarca estima que serão necessários construir no mínimo dois mil fogos nos próximos seis a sete anos, num investimento de cerca de mil milhões de euros — um esforço financeiro que o município assume não ter capacidade para suportar.
Entre os maiores projetos em curso destacam-se a expansão da Repsol, com um investimento superior a dois mil milhões de euros, e a instalação de uma unidade industrial da empresa chinesa Calb, produtora de baterias de lítio para veículos elétricos, também com investimento acima dos dois mil milhões de euros.
A pressão no mercado habitacional já se estende aos concelhos vizinhos de Grândola e Santiago do Cacém, onde as rendas atingem valores entre 1.500 e 1.700 euros mensais. Álvaro Beijinha defende que parte dos benefícios fiscais concedidos às empresas investidoras deveria ser alocada à habitação e que as próprias empresas deveriam ter obrigação de garantir alojamento aos seus trabalhadores. O autarca admite já ter convidado o primeiro-ministro a visitar Sines para discutir a temática, sem ter obtido resposta.
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