Tribuna Alentejo
pexels-vladimir-gladkov-6213754
Negócios e Empresas

Azeite pode tornar-se um luxo a que poucos chegam

A campanha de comercialização de azeite para a temporada 2022/23 nas áreas de mercado do Alentejo, Ribatejo e Trás-os-Montes registou um aumento nas cotações, variando entre 3,5% e 5%, em comparação com a semana anterior. Esta subida nas cotações ocorreu devido à oferta limitada a média de azeite em contraste com uma procura elevada. Além disso, a qualidade do produto foi considerada boa.

No entanto, esta campanha é marcada por uma considerável quebra na produção, principalmente no olival tradicional, devido a vários fatores adversos, como um ano de contra-safra, condições meteorológicas desfavoráveis, incluindo uma seca extrema e altas temperaturas, bem como ataques tardios da mosca da azeitona e gafa devido à ausência de tratamentos. As estimativas do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam uma produção de cerca de 126.000 toneladas, representando uma diminuição de 40% em relação à campanha anterior, embora ainda seja a quarta melhor produção de azeite de sempre.

Comparando o primeiro semestre de 2023 com o mesmo período do ano anterior, o saldo comercial português neste setor diminuiu, mas Portugal mantém um superávit de cerca de 169 milhões de euros. A quebra na produção, o aumento dos preços dos combustíveis e dos fertilizantes são fatores que contribuíram para esse aumento. O preço do azeite está em alta, podendo chegar a 10 euros por litro em breve, devido à redução na produção e aos aumentos nos custos de produção.

A colheita da azeitona em Trás-os-Montes inicia-se em breve, mas as perspetivas para o setor são desafiadoras pelo segundo ano consecutivo, devido à seca, ao calor excessivo e, em algumas regiões, à queda de granizo.

O azeite irá tornar-se cada vez mais caro para as famílias, afetando o consumo e as exportações, uma vez que outros países produtores também enfrentam quebras na produção, estimadas entre 30% e 50%.

Portugal, historicamente excedentário na produção de azeite, agora vê o seu sector enfrentar uma crise que afetará negativamente os negócios internacionais, apesar das exportações já ultrapassarem os 900 milhões de euros por ano.

Artigos relacionados

Negócio que ia colocar Refinaria de Sines nas mãos de espanhóis cai. Galp e Moeve não chegaram a acordo

Redação Alentejo

Saída da Microsoft de projeto britânico não afeta expansão em Sines

Redação Alentejo

Alentejo lança garrafa de vinho mais leve e lidera sustentabilidade vitivinícola a nível mundial

Redação Alentejo

TEKEVER é a 3ª startup de defesa mais valiosa da Europa com avaliação de 6,4 mil milhões de dólares

Redação Alentejo

Porto de Sines quer ter uma Zona Franca com limitação de impostos para ser mais competitivo a atrair empresas

Redação Alentejo

Porto de Sines é uma das mais importantes portas de entrada e saída de mercadorias para a Europa, diz novo estudo da “Prime Mile”

Redação Alentejo