Tribuna Alentejo
o-confidence-facebook
Educação

AUTOESTIMA: AS CRIANÇAS E OS SEUS SUPER-PODERES

"Uma criança com a dose certa de autoestima tem a melhor defesa contra todos os desafios da vida". – Ariadne Brill

Os super-heróis são pessoas repletas de poderes, de defesas, de fraquezas, de coragem e acreditam piamente em si e na sua missão no mundo. Uma criança é quase igual a um super-herói quando a sua autoestima é adequada à sua idade e aos desafios que ela enfrenta. Reconhece as suas fraquezas e as suas qualidades, coopera com as outras crianças, é humilde, confiante e altruísta.

Uma boa autoestima permite à criança a não temer experiências novas, resolução de problemas, tomadas de decisões e de responder a desafios de forma saudável.

Quando explico às crianças o que é a autoestima costumo comparar este conceito a um autorretrato no qual não sentimos medo de desenhar os nossos defeitos ou as nossas qualidades e funciona como um rascunho, no qual podemos sempre melhorar, retocar ou eliminar imperfeições.

É natural existirem alturas em que o desenho se encontra repleto de vivacidade, brilho, pormenores, assim como existem outros momentos onde o negro e o cinzento imperam. Todos nós já passamos por este sentimento.

Quando penso na autoestima das crianças costumo imaginar que ainda estão a aprender as cores, a conhecer os tracejados de cada cor ou a aprender quais as combinações favoritas de cores e formas. Porquê? Porque este processo de identificação, a construção da personalidade tem os seus pilares aqui, na autoestima e auto-conceito das crianças.

O auto-conceito consiste na imagem que cada pessoa tem de si próprio, sendo que esta visão tem como base a experiência vivenciada e o seu auto-conhecimento. Por outras palavras, o auto-conceito pode funcionar como peças de um puzzle que vamos acrescentando à noção que temos de nós próprios e a autoestima pode ser vista enquanto os desenhos, os pormenores que cada peça tem e por fim, a imagem global que temos de nós próprios resulta da boa ou má consolidação da nossa auto-estima e auto-conceito.

Quando uma criança fala sobre autoestima refere que para a sentirem têm de se sentir amados, pertencerem a uma família e que esta os valoriza. A autoestima também se constrói mediante o encorajamento e o apoio dos pais ou agentes educativos em diversos momentos, especialmente quando a criança sente dificuldade em superar um obstáculo ou alcançar um determinado objetivo. O apoio da família é essencial para a construção de uma criança confiante e com mais autoestima.

Como podemos ajudar as crianças (1-8 anos de idade) a desenvolver estes “super-poderes”?

– Demonstre que gosta do seu/sua filho/a de uma maneira espontânea através dos afetos, palavras e gestos (deve fazê-lo com regularidade).

– Proporcione à criança um sentimento de pertença à família e à comunidade em que se encontra. Ajude-o a conhecer melhor a história da sua família, os seus familiares, estar em contacto com práticas típicas e culturais da sua família.

– Promova atividades ou hobbies do interesse do seu/sua filho/a. Não deve forçar uma atividade quando a criança não demonstra curiosidade ou gosto em praticá-la.

– Evite fazer comparações entre os seu filhos e as outras crianças.

– Permita à criança que o ajude nas diversas atividades que costuma realizar dentro ou fora de casa para que se sinta útil e capaz , como por exemplo: meter a mesa, ajudar a lavar a loiça, estender algumas peças de roupa ou fazer a sua própria cama.

– Perante situações de insucesso ou mau comportamento, procure criticar a ação e não a criança. Desta forma, a criança vai entender que agiu erradamente e compreender como deve agir posteriormente.

– Encoraje a criança a resolver problemas ou desafios. Quando o adulto está a apoiar e a ajudar a criança a resolver um determinado problema está a dar-lhe as ferramentas que precisa para conseguir responder naturalmente aos desafios e problemas que terá mais tarde, promovendo a sua autonomia e confiança.

– Celebre, demonstre interesse e orgulho pelas conquistas que a criança vai alcançando independentemente da sua escala de dificuldade. Devemos recordar os seus momentos de sucesso quando a criança está desmotivada ou com baixa auto-estima com o intuito de renovar e restaurar a sua confiança.

De uma forma sucinta, os adultos devem passar tempo de qualidade com a criança, ouvindo-a, ajudando-a a aprender novas coisas e atingir os seus objetivos. A autoestima deve ser promovida nas crianças e ao longo do seu desenvolvimento com o intuito de tornar as crianças mais fortes, mais resilientes, mais autónomas e confiantes.

Ao estarmos a valorizar este processo previne-se a base da saúde mental de qualquer indivíduo. Recordo e homenageio as palavras do Dr. António Coimbra de Matos nas suas aulas académicas: “Quando nos sentimos amados e reconhecidos pelo que somos desde tenra idade, conseguimos amar e ser amados pelos outros”.

A autoestima pode ser encarada como o melhor dos “super-poderes” de qualquer pessoa, pois permite-nos amar e sermos amados.

 

Joana Fialho, Psicóloga Clínica e colaboradora na Sociedade do Bem

Sociedade do Bem no facebook – https://www.facebook.com/sociedadedobem.org

Sociedade do Bem na web – http://projetosociedadedobem.wordpress.com/

E-mail: [email protected]

Imagem de capa daqui.

 

Artigos relacionados

UE financia formação em mecânica aeronáutica em Ponte de Sor

Redação Alentejo

Estudantes da Universidade de Évora protestam contra aumento das propinas

Redação Alentejo

Mia Couto e Tarantini nas Jornadas de Educação de Beja

Redação Alentejo

Marcelo Rebelo de Sousa encontra-se hoje com estudantes de Almodôvar, para falar sobre livros e o digital

Redação Alentejo

Estudantes marcam manifestação contra aumento das propinas previsto para 2027

Redação Alentejo

Évora e Portalegre destacam-se no País com as mais baixas taxas de criminalidade escolar

Redação Alentejo