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Almina quer retomar corrida ao ouro no Vale do Guadiana

A Almina — Minas do Alentejo SA quer realizar trabalhos de pesquisa de cobre, zinco, estanho, chumbo, ouro e prata num território com cerca de 500 quilómetros quadrados, situado nos concelhos de Mértola e Castro Verde.

De acordo com o jornal Público, a área em análise sobrepõe-se em grande parte com o Parque Natural do Vale do Guadiana, abrangendo também Zonas de Proteção Especial e Zonas Especiais de Conservação.

No pedido de atribuição de direitos de prospeção e pesquisa, a Almina destaca que a área referida se insere nas imediações e prolongamento de estruturas geológicas onde se encontram as antigas Minas de São Domingos e Chança, “no setor norte da Faixa Piritosa Ibérica (FPI), próximo da fronteira luso-espanhola”.

Segundo a empresa, o “potencial geológico mineiro” do território abrangido “tem sido alvo de vários projetos de prospeção, realizados pela Somincor, Sociedade Mineira Rio Artézia Lda, Billiton, AGC e MAEPA-Empreendimentos Mineiros e Participações, Lda”.

A Almina garante, no seu programa de trabalhos, que “será sempre tida em conta a elevada importância de todos os aspetos ambientais, paisagísticos ou arqueológicos” no território onde vão decorrer as intervenções, “cumprindo integralmente a Lei vigente”.

Contudo, a dimensão das prospeções a efetuar, num território que integra a Reserva Ecológica Nacional (REN), gera receios em relação ao impacto que possam vir a causar nas linhas de água, nos aquíferos subterrâneos, no património arqueológico e nos ecossistemas.

A Direção Regional de Cultura do Alentejo alerta que os territórios “como o do complexo mineiro de S. Domingos, da mina do Chança, de Mértola e os seus arrabaldes são extraordinariamente frágeis, do ponto de vista patrimonial”.

Já a Direção Regional de Conservação da Natureza e Florestas considera que “são expectáveis impactes significativos nos valores naturais”, no decorrer das inúmeras prospeções que venham a ser efetuadas, lembrando que “é proibido perturbar a avifauna, nomeadamente durante o período de reprodução, de dependência, de hibernação e de migração”.

 

Fotografia de institutominere.com.br

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