O mercado imobiliário em Portugal registou os primeiros sinais de arrefecimento no início de 2026, com o Alentejo a liderar as quedas de preços a nível nacional. De acordo com o Observatório Imobiliário do Doutor Finanças, o valor médio por metro quadrado das casas anunciadas para venda recuou 0,4% no primeiro trimestre, com os distritos de Évora (-5,3%) e Beja (-1,5%) a apresentarem as descidas mais acentuadas do país, superando o comportamento de Lisboa e da Madeira.
Esta inversão de tendência no território alentejano ocorre num cenário de menor oferta, com a redução do número de imóveis disponíveis no mercado. No entanto, vender uma casa exige agora mais tempo, sinalizando uma quebra na procura provocada pela incerteza económica. Em contraste, o mercado de arrendamento segue o sentido inverso, com as rendas a continuarem a subir ligeiramente, agravando a pressão sobre os inquilinos na região.
O acesso à habitação está também a ser dificultado pelo aumento consistente das taxas Euribor, que a 12 meses já ultrapassou os 2,76%. Este cenário de crédito mais caro, aliado ao aumento da inflação, cria condições adversas para quem pretende adquirir imóvel no Alentejo, apesar da correção de preços registada. A instabilidade geopolítica internacional e a pressão sobre os preços de produção contribuem para um clima de incerteza elevado, tornando o mercado mais restritivo.
Embora os valores de venda no Alentejo continuem próximos dos máximos históricos, os indicadores de março e abril de 2026 sugerem que o ciclo de subidas ininterruptas poderá estar a chegar ao fim. O comportamento futuro dependerá das decisões dos bancos centrais sobre as taxas de juro, numa altura em que o FMI recomenda cautela. Para proprietários e investidores na região, a palavra de ordem é monitorização constante face a estas assimetrias regionais marcantes.
