Está aqui

José Carlso Adão

Carta a uma girafa

Querida Girafa,

Ando há meses pensando em como te escrever estas palavras. Na minha ideia, é preciso coragem para, finalmente, te dirigir breves linhas que sei que talvez nem vás ler. Porém, é importante e obrigatório que as escreva.

Certamente sou alguém absolutamente desconhecido para ti. Nunca tive a coragem de te dirigir a palavras certas. E por isso me calo cada vez que passo por ti e cada vez que nos cruzamos. E por isso desvio o olhar. Há algo em ti que fez nascer algo em mim e me ajudou a ver a savana de outra forma. Bem, ajudou-me a abstrair do capim.

 

A cobra que sonhava ter pernas

Nascida nos desertos de África, Malandrinha, era uma cobra grande e vistosa. Era um réptil cheia de características boas, coisa que a diferenciava de todas as outras cobras.

No deserto onde vivia, as cobras que faziam parte do seu habitat natural todas tinham péssima reputação e eram todas muito más.

Mesmo entre si abundava a maldade e tentavam todas prejudicar-se umas às outras.

Se fossem todas postas dentro de um saco ou dentro de um balde, talvez não saísse de lá nenhuma viva, pois certamente se teriam aniquilado todas, uma a uma.