O setor dos Vinhos do Alentejo tem um impacto económico superior a 1,45 mil milhões de euros na economia portuguesa, contribuindo com cerca de 673 milhões de euros para o Produto Interno Bruto (PIB). Os dados resultam de um estudo socioeconómico desenvolvido pela NOVA School of Business & Economics (NOVA SBE) e apresentado em Évora pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA).
De acordo com o mesmo estudo, a fileira vitivinícola alentejana assegura mais de 21 mil postos de trabalho diretos e gera cerca de 269 milhões de euros em remunerações. Em termos de receitas fiscais, o setor contribui com aproximadamente 95 milhões de euros para o Estado, através de impostos como o IVA e o IRS, refletindo a relevância económica da atividade para a região e para o país.
O relatório evidencia ainda o peso do Alentejo na produção nacional, representando 16,4% do total de vinho produzido em Portugal. No caso dos vinhos com Denominação de Origem Protegida (DOP), a região representa 16,8% da produção nacional, enquanto nos vinhos com Indicação Geográfica Protegida (IGP) a quota sobe para 19%.
A apresentação dos resultados coincidiu com o lançamento da plataforma digital Data+, desenvolvida pela CVRA para reforçar a monitorização e análise do setor. A ferramenta integra mais de cinco milhões de registos acumulados ao longo de mais de 15 anos, incluindo informação sobre produção, castas, mercados de exportação e sub-regiões vitivinícolas do Alentejo.
Segundo o presidente da CVRA, Luís Sequeira, estas iniciativas fazem parte do Plano Estratégico dos Vinhos do Alentejo 2026-2031, que define como prioridade o reforço do valor económico da fileira e a consolidação da presença internacional da região. Entre as metas estabelecidas está a duplicação das exportações de vinho alentejano até ao final da década, passando dos atuais cerca de 20 milhões para 40 milhões de litros.
Atualmente, cerca de 30% da produção regional é destinada à exportação, com o Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, Suíça e Polónia entre os principais mercados. A estratégia passa não só pelo aumento do volume exportado, mas sobretudo pela valorização do preço e pela consolidação da marca Alentejo nos mercados internacionais.
O plano estratégico prevê ainda um crescimento superior a 41% no volume de negócios do setor até 2031. Este objetivo surge num contexto em que o Alentejo continua a reforçar o seu posicionamento como uma das principais regiões vitivinícolas do país, num momento em que a promoção territorial ganha nova visibilidade associada a iniciativas de âmbito regional e internacional.
