O PCP questionou formalmente a Ministra da Saúde na Assembleia da República sobre a crise financeira e operacional que afeta a Santa Casa da Misericórdia de Serpa e o Hospital de São Paulo, exigindo que a tutela assuma a responsabilidade pelo financiamento dos cuidados médicos locais e integre a unidade de vez no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Esta instabilidade atual remonta a 2014, ano em que o Estado assinou um acordo de cooperação com a instituição para oficializar a devolução do hospital à gestão da Misericórdia a partir de janeiro de 2015, um modelo que prometia aumentar a eficiência mas que gerou fortes críticas e avisos repetidos por parte de partidos de esquerda, que defendiam que a entidade não detinha a estrutura necessária para sustentar uma unidade de saúde desta dimensão.
Ao longo da última década, o modelo resultou numa fragilidade financeira aguda com atrasos no pagamento de subsídios aos funcionários, instabilidade laboral com vários protestos sindicais e falhas graves na prestação de cuidados que motivaram manifestações populares em defesa das urgências. A rutura estratégica agravou-se no passado dia 28 de julho, quando os associados da Santa Casa chumbaram uma proposta da mesa administrativa para estabelecer uma parceria de gestão partilhada com um grupo privado de saúde, o que levou à demissão em bloco da direção da instituição.
Para o PCP, este desfecho confirma que a saúde não pode ser entregue a interesses privados, responsabilizando as opções políticas da Administração Central, incluindo decisões do ex-Secretário de Estado da Saúde, Ricardo Mestre, e criticando também as promessas eleitorais do atual Presidente da Câmara Municipal de Serpa, Francisco Picareta, uma vez que a garantia de financiamento compete exclusivamente ao Estado.
O partido alerta que o colapso financeiro ameaça agora a sobrevivência da própria Santa Casa e de respostas sociais fundamentais como o Lar, a Unidade de Cuidados Continuados e o Apoio Domiciliário, que serve mais de 100 utentes, pelo que reforça que a única saída viável para garantir a estabilidade dos trabalhadores e a segurança dos utentes passa pelo resgate público imediato e pelo regresso definitivo do Hospital de São Paulo ao SNS.
