O distrito de Portalegre consolidou-se como o segundo território mais seguro de Portugal ao registar uma contra tendência nacional com a descida acentuada dos seus índices de criminalidade geral. Os dados estatísticos foram partilhados publicamente pela superintendente Isabel Canelas, comandante do Comando Distrital da Polícia de Segurança Pública, durante a sessão solene comemorativa dos 148 anos do comando, que decorreu no Centro de Congressos da Câmara Municipal de Portalegre.
No decorrer do ano transato, a criminalidade geral no distrito alentejano registou uma quebra de 4,7%, um recuo que contrasta de forma direta com o panorama global do país. A evolução também foi amplamente favorável no espetro da criminalidade violenta e grave, onde o distrito acompanhou a tendência de contração verificada a nível nacional e alcançou uma redução expressiva de 17,5% nessas ocorrências. Avaliando os primeiros cinco meses do ano corrente, os indicadores apontam para dinâmicas mistas, uma vez que a criminalidade geral mantém a sua rota de queda com o registo de 399 crimes, o que representa menos 40 infrações face ao período homólogo anterior.
Em contrapartida, a criminalidade violenta e grave inverteu a tendência de descida nestes primeiros meses e já contabiliza 15 crimes, traduzindo um aumento de dois casos comparativamente ao ano passado. A par da apresentação destes indicadores, a comandante aproveitou a efeméride para expor vulnerabilidades institucionais preocupantes, manifestando forte descontentamento com a falta de qualidade e com a manifesta inadequabilidade das instalações policiais da cidade, tanto para o desempenho das funções diárias dos polícias como para o atendimento digno aos cidadãos.
Esta degradação estrutural é agravada por uma redução gradual e contínua do efetivo policial distrital face ao aumento de competências delegadas nas forças de segurança. De forma detalhada, Isabel Canelas revelou que o problema mais crítico reside no défice acentuado de chefes e oficiais na estrutura de Portalegre, uma lacuna que resulta diretamente numa quebra de enquadramento operacional e numa menor capacidade de supervisão hierárquica no terreno.
Na capa, superintendente Isabel Canelas.
