O Governo planeia investir cerca de quatro mil milhões de euros nos portos nacionais, entre eles o de Sines, com o objetivo de aumentar a capacidade de carga portuária em 50% para 125 milhões de toneladas de carga, até 2035.
De acordo com o jornal ECO, a resolução que aprova a Estratégia para os Portos Comerciais do Continente 2025-2035, Portos 5+, publicada esta terça-feira em Diário da República, afirma que “a estratégia integrada e coordenada entre os portos comerciais do continente, que promova mais concorrência entre terminais portuários e robusteça todo o sistema portuário nacional, exige a redefinição das suas vocações estratégicas principais e complementares”.
“A especialização para o aumento da competitividade e das economias de escala é essencial”, acrescenta o mesmo documento.
Neste sentido, o porto de Sines deverá reforçar a consolidação da sua vocação de transbordo na carga contentorizada, com reforço do peso do tráfego do hinterland baseado na melhoria do acesso ferroviário ao mercado ibérico.
A aposta faz-se nos granéis sólidos industriais, na afirmação como porto industrial de energias e combustíveis verdes e no fornecimento de bancas a navios. A sua capacidade total vai aumentar 17 milhões de toneladas, consolidando a sua posição como o maior porto do país.
O maior crescimento de capacidade será na carga contentorizada, com a expansão do Terminal XXI e do novo Terminal Vasco da Gama, num investimento total de 328 e 701 milhões de euros, respetivamente.
Sines deverá, assim, apresentar um crescimento para cerca de 70 milhões de toneladas. Ou seja, perto de 60% dos 125 milhões previstos a nível nacional.
Além do porto de Sines, constam ainda deste plano Portos 5+ o porto de Viana do Castelo, o de Leixões, Douro, Aveiro, Figueira da Foz, Lisboa e Setúbal.
O investimento e desenvolvimento das infraestruturas portuárias vai receber 3.056 milhões de euros ao longo da década. A juntar a estes investimentos há ainda 293 milhões de euros destinados a melhorar a integração local, regional e setorial; 296 milhões para melhorar a intermodalidade e conectividade; 250 milhões para investir na descarbonização do setor e torná-lo mais sustentável; e 72 milhões para reforçar a digitalização.
O objetivo deste plano é alcançar um aumento da atual capacidade portuária, até 2035, em mais 35 milhões de toneladas, mais 2,5 milhões de TEU e mais 500 mil passageiros de navios de cruzeiro.
O ministro Miguel Pinto Luz afirmou ainda que os privados, através de 15 novas concessões que vão ser lançadas, vão financiar cerca de 75% dos 3.967 milhões de euros de investimentos previstos para o setor portuário no período entre 2025 e 2035.
Assim, o financiamento de 2.941 milhões de euros ficará a cargo de empresas privadas, enquanto os restantes 1.026 milhões de euros serão investidos pela Autoridade Portuária e através de fundos comunitários.
“Estão previstas novas concessões de serviço público a serem lançadas neste período, abrangendo os portos de Leixões, Aveiro, Lisboa, Setúbal e Sines, com um foco em diversos segmentos de mercado, incluindo a carga contentorizada, carga geral, granéis líquidos e sólidos e operações roll-on roll-off”, refere a resolução.
Os concursos de concessão de terminais para a movimentação de cargas em regime de serviço público a lançar preveem um investimento privado estimado em cerca de dois mil milhões de euros, abrangendo a construção de novos terminais portuários e a modernização de infraestruturas existentes.
“A este valor acresce o investimento privado previsto nos terminais portuários de movimentação de cargas em regime de serviço público já concessionados, como é o caso do Terminal XXI do porto de Sines e do Terminal de Alcântara do porto de Lisboa, e noutros terminais portuários, estaleiros navais e docas de uso privativo existentes”, acrescenta a mesma fonte.
Fotografia de eco.sapo.pt
