A Praça da Liberdade, em Reguengos de Monsaraz, recebe de 31 de outubro a 8 de novembro a exposição “Ecos de 1755 — O Terramoto no termo de Monsaraz”, organizada pelo Município de Reguengos de Monsaraz e integrada no movimento Recordar 1755 — Quake, associado às comemorações dos 271 anos do terramoto de Lisboa. A mostra assenta nos testemunhos dos párocos recolhidos através dos interrogatórios ordenados por Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal, logo após o sismo de 1 de novembro de 1755 — cuja pergunta 26 inquiria se a paróquia “padeceu alguma ruína no terramoto de 1755, e em quê, e se está reparado”. Com base nesses documentos, a exposição revela os danos sofridos por monumentos religiosos, civis e militares do antigo concelho de Monsaraz e os episódios de destruição e recuperação que integram a história e a identidade da região.
Em Monsaraz, a Igreja de Nossa Senhora da Lagoa sofreu danos que, segundo o prior António José Guião, já estavam reparados em 1758, com obras tão cuidadas que o templo parecia novo, tendo ganho duas torres e um frontispício com imagem de Nossa Senhora da Conceição. O castelo e as muralhas, já degradados em meados do século XVIII, sofreram novos estragos, sobretudo na Torre de Menagem e na Torre das Feiticeiras. Os antigos Paços do Concelho — edifício do século XIV que acolheu uma sala de tribunal decorada com o fresco “Bom e Mau Juiz” — registaram danos consideráveis, e o pelourinho medieval foi completamente destruído, sendo substituído por outro em mármore branco de Estremoz que reutilizou elementos do original. A Igreja de Santiago sofreu estragos que contribuíram para o estado de ruína em que chegou à década de 1980, e a Ermida de São Bento, com pinturas murais de 1629, foi um dos edifícios mais afectados, tendo chegado aos nossos dias em completa ruína, num processo possivelmente associado a reparações pouco eficazes e ao abandono progressivo.
Os efeitos do sismo estenderam-se à antiga freguesia da Caridade, onde a igreja paroquial sofreu três pequenas fendas e a Ermida de São Romão ficou com as paredes bastante abatidas, e a São Pedro do Corval, onde a igreja paroquial viu os três arcos de sustentação seriamente danificados, o frontispício aberto em ambos os lados e o arco da capela-mor e o fecho da abóbada afectados. Na antiga Aldeia do Mato, as ermidas de Santa Caridade, Santa Margarida e Santo Ildefonso registaram danos nos arcos e nas paredes-mestras, parte dos quais já reparados segundo o testemunho paroquial. A exposição é, assim, uma oportunidade de ler no património do território as marcas de uma catástrofe que, mais de dois séculos e meio depois, continua a fazer parte da memória colectiva do Alentejo.
