Tribuna Alentejo
rita
Colunistas

Clave de Sol

– Por favor, para. – Suplico entre dentes.

Não quero que pare, na realidade. Quero que continue porque é este resto que me mantém viva. E eu quero sentir-me viva; pelo menos, desta maneira. Da maneira que ele sabe tocar-me sem usar mãos, canções e cheiro. E isso tem a sua magia. 

Está tudo tão implícito e deixo-me ficar pelos impulsos. Impulsos estes que me salvam hora após hora a contar os segundos; à espera de nada, dando à ansiedade passe direto para os cantos mais escondidos do meu leve e delicado corpo. 

– Onde estás? – Questiono agora. Um pouco desesperada por não ver o branco no preto. 

Quero encontra-lo. Outra e outra vez. A carga que tem é demasiada, só precisava de um toque para me trazer de volta. Para relembrar e cair de novo e de novo sem ter uma conclusão.

Com recurso da metáfora, pronunciou-se o sol numa noite de lua cheia, no quente e nas estrelas. Num castelo tão iluminado quanto o brilho dos meus olhos – palavras suas. A queda foi tão alta e adivinhem: eu, sem paraquedas. 

Sussurrou-se abrigo e ele nem sonha que é o meu. 

Cantaram-se promessas e sou recebida num vazio, tornando-se mais profundo dia após dia. Sentindo a falta de um coração quente e de uma mente brilhante. Nunca antes construída.

Dou por mim a suspirar. Desde a ponta dos meus pés até outra ponta da cidade. Está tudo tão frio e clamo que o calor me o traga de volta. Junto dos braços com mil e uma histórias e de uns lábios melódicos. 

Entre colcheias e semibreves, sonho acordada. Na história mais bonita que construíra.

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